O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, defendue hoje que o Governo Regional e o Governo da República devem procurar juntos soluções para mitigar o impacto da redução militar norte-americana na base das Lajes, na ilha Terceira.
 

"Quando toca ao futuro da ilha Terceira e dos Açores não interessa tanto agora de quem é o projeto, interessa sobretudo resolver o problema e para o resolver nós temos de cooperar", frisou num encontro com militantes do partido em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.


Segundo o líder social-democrata, o Governo Regional apresentou "um plano de intenções" para dinamizar a economia da ilha Terceira, mas o Governo da República também apresentou uma proposta e nesta altura os dois governos estão a trabalhar "de uma forma próxima" para ter "uma única proposta".

Passos Coelho voltou a dar como exemplo a criação de um regime fiscal excecional para o Porto da Praia da Vitória, alegando que tem de ser o Governo Regional a "definir uma vocação para o porto", porque é o Governo Regional que governa os Açores e sem um "projeto consolidado para discutir" não é possível apresentar uma proposta em Bruxelas.

Realçando o "impacto muito grande" da redução militar norte-americana para a ilha Terceira e o efeito já sentido, o líder do PSD considerou que é preciso reforçar as oportunidades trazidas pela liberalização do espaço aéreo e nesse sentido disse esperar que "dentro de poucas semanas" esteja concluído o processo negocial para a vinda de voos low cost para a ilha Terceira.

Pedro Passos Coelho salientou ainda que o Governo não desistiu de "convencer os norte-americanos" de que não podem diminuir a presença na ilha sem acautelar algumas ações que ajudem a mitigar o impacto dessa decisão.
 

"Tenho uma expetativa de que possamos ainda encontrar com os Estados Unidos, em torno da base das Lajes, decisões que permitam não direi totalmente reverter, porque isso provavelmente não será possível, mas encontrar alternativas de uso, que minimizem estes impactos", frisou.


Segundo o líder social-democrata, que destacou a colaboração de responsáveis políticos ao mais alto nível nos EUA, o objetivo é trazer norte-americanos para a ilha Terceira, mantendo um "certo nível de atividade", "seja do lado dos serviços de informação, seja de outras atividades".

Nos Açores, onde não há coligação entre PSD e CDS na candidatura às legislativas, Passos Coelho mostrou-se confiante de que os dois partidos vão "trabalhar em conjunto com o futuro Governo", apoiado por uma coligação que chegou ao fim da legislatura "sem sobressaltos".

O líder do PSD iniciou a visita à ilha Terceira na Quinta dos Açores, uma empresa familiar de carnes e laticínios, onde provou iogurtes, queijos e gelados, que recomendou mais tarde a um casal de turistas do Porto.

Em terra de governação socialista, Passos Coelho ouviu mais elogios do que críticas no contacto com a população, como as palavras de uma emigrante açoriana nos Estados Unidos: "O senhor está a fazer um excelente trabalho. É difícil por um país para cima, quando ele está para baixo. Admiro muito o senhor. Não interessa o que os outros pensam de si, continue".

Entre um gelado e outro, teve tempo para tirar uma fotografia com um jovem de Massachusetts, a quem recomendou uma visita pelo resto do país, sobretudo pelo Douro.

O presidente do PSD visitou depois o centro histórico de Angra do Heroísmo, cidade Património Mundial da Unesco, parando num café a provar doçaria típica da ilha Terceira.

Pelo caminho até à Praça Velha, onde o aguardava um momento de cantoria (uma tradição açoriana em que se canta de improviso), Passos Coelho ouviu os lamentos de um cidadão que disse estar há espera da colocação de uma prótese na anca "há 16 anos".
 

"Isso não tem explicação. No continente não há ninguém que esteja nestas condições", disse o também primeiro-ministro, pedindo a um dirigente do PSD da ilha Terceira para se inteirar do caso.