O Presidente da Republica diz que não se pode falar num «plano b» porque isso destruiria as negociações em curso. Cavaco Silva, em entrevista em direto na TVI, garante ainda que respeitará a decisão dos partidos qualquer que seja, embora considere um acordo o melhor para o país. Antes, o Presidente admitiu que existem «adversários do compromisso de salvação nacional», sem, no entanto, referir nomes como Mário Soares ou Manuel Alegre.

«O Presidente da República nunca pode revelar um plano B. Isso seria um tremendo erro que cometia, porque a aposta tem de estar toda naquela solução que ele considera o melhor para o país. Se eu anunciasse qualquer plano B estava a destruir completamente as possibilidades dos partidos chegarem a um entendimento», disse.

«Eu desejo que haja um acordo, esse é o meu desejo mas tenho que respeitar a decisão dos partidos qualquer que ela seja. Os partidos podem estar conscientes de que respeitarei a sua decisão», afirmou Cavaco Silva, em entrevista.

O chefe de Estado recusou antecipar o que fará caso PSD, PS e CDS-PP não cheguem a um acordo mas excluiu totalmente a possibilidade de um executivo de iniciativa presidencial: «É um plano que está totalmente excluído porque, desde 1982, com a revisão constitucional os governos deixaram de responder politicamente perante o Presidente da República. Ora se um Governo que passa na Assembleia não responde perante o Presidente mas perante a Assembleia da República, então não faz qualquer sentido governos de iniciativa presidencial».

Quanto à duração das conversações entre PSD, PS e CDS-PP, Cavaco Silva considerou razoável o prazo de uma semana fixado pelos partidos mas alertou que, neste caso, «a pressa pode ser inimiga do bom».

«Se fosse mais um dia ou dois e conseguíssemos o bom então devíamos ficar satisfeitos na mesma», afirmou.

Cavaco Silva recusou igualmente pronunciar-se sobre a proposta de remodelação que lhe foi apresentada pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e que incluía Paulo Portas como vice-primeiro-ministro.

«Não tomei posição sobre essa hipótese e não devia tomar, seria um erro tomar posição sobre essa proposta porque podia conduzir a um falhanço das negociações. Não quero e não devo tomar posição», reforçou.

Na quarta-feira da semana passada, em comunicação ao país, o Presidente da República, Cavaco Silva, propôs que um acordo tripartido, a que chamou «compromisso de salvação nacional», assente em «três pilares».

Em primeiro lugar, defendeu, esse acordo «terá de estabelecer o calendário mais adequado para a realização de eleições antecipadas» e «a abertura do processo conducente à realização de eleições deve coincidir com o final do Programa de Assistência Financeira», prevista para junho de 2014.

Em segundo lugar, deve assegurar o apoio às medidas necessárias para que o Estado português regresse ao financiamento nos mercados no início de 2014 e para que se complete «com sucesso» o referido programa de resgate a Portugal que esses três partidos subscreveram em 2011, defendeu o Presidente, em comunicação ao país.

Em terceiro lugar, o chefe de Estado disse pretender que esse acordo tripartido inclua um entendimento «entre os três partidos que assegure a governabilidade do país, a sustentabilidade da dívida pública, o controlo das contas externas, a melhoria da competitividade da nossa economia e a criação de emprego» após as próximas legislativas.

Na sequência desta proposta, os três partidos iniciaram as conversações no domingo e já mantiveram cinco reuniões públicas.