O Partido Socialista sentiu esta terça-feira a necessidade de emitir um comunicado a garantir que um acordo de Governo entre socialistas, Bloco de Esquerda, PCP e Os Verdes terá de ter sempre como base um programa que cumpra as regras orçamentais de Portugal.

"Face a notícias que têm vindo a público acerca das implicações orçamentais do acordo entre o PS, BE, PCP e PEV, o PS reafirma que as regras orçamentais serão cumpridas. O PS reafirma que apenas viabilizará um Governo que garanta o cumprimento das obrigações do país em termos orçamentais", lê-se no comunicado difundido pelo Gabinete de Imprensa do partido, e que é citado pela Lusa. 

Vários órgãos de comunicação social publicaram estimativas orçamentais decorrentes de medidas como o aumento do salário mínimo ou a reposição dos salários dos trabalhadores do setor público em 2016. Isto porque essas medidas podem fazer parte de um acordo programático entre os partidos à esquerda, uma vez que foram bandeiras dos seus programas eleitorais, embora com diferenças temporais entre PCP/BE e PS.

Entretanto, também hoje, a CGTP-IN pediu que a maioria de esquerda na Assembleia da República dê rapidamente sinais de rutura com as políticas dos últimos quatro anos.

"Temos consciência que os problemas não se resolvem de um dia para o outro, Roma e Pavia não se fizeram num dia, mas o que é certo é que neste momento ou há rapidamente sinais da Assembleia da República, nomeadamente desta maioria que apontem para soluções diversas e de rutura com o que se passou anteriormente, ou então, o que dizemos é que os trabalhadores não têm de ficar na expectativa", afirmou Arménio Carlos, à saída de uma reunião com o PCP, na Assembleia da República.

O líder da central sindical enfatizou particularmente -  e precisamente - a questão do aumento dos salários e da contratação coletiva e disse que os trabalhadores "têm de fazer o seu trabalho, e neste caso fazer o seu trabalho é apresentar a suas reivindicações e procurar dinamiza-las para terem força para a negociação, porque quanto mais nos mobilizarmos mais força temos para negociar", pediu.
 
Voltando ao comunicado do PS, o documento salienta que "no atual momento", o partido entende que o processo político deverá "centrar-se" na apreciação da proposta de programa do Governo indigitado PSD/CDS, bem como "nas consequências económicas e sociais para o país que decorrem das medidas nele contidas".

E volta a fazer o apelo que tem feito desde antes da campanha eleitoral:

"O PS considera fundamental que o Governo PSD/CDS apresente uma avaliação do impacto das medidas do seu programa, sem o qual não é possível avaliar a sua consistência com o cumprimento dos compromissos orçamentais"

Na primeira reação à composição do novo governo, o PS considerou que o primeiro-ministro apresentou uma proposta de um Executivo "provisório" que "tem os dias contados", que surge como continuidade do anterior e cuja solução revela esgotamento. 

Desde logo, na página oficial de Facebook de António Costa,   o novo Governo foi descrito como "sem futuro", e uma "clara demonstração de continuidade sem evolução".

Desde quinta-feira da semana passada que, à esquerda, não há reuniões para continuas as negociações sobre o acordo. Nem tão-pouco se sabe se o que está em cima da mesa é um entendimento para um governo de coligação ou com apoio parlamentar.