Uma moda ou uma tendência? A agricultura sorri mais como marca, atualmente, com ramificações cada vez mais ecológicas, negócios de nicho e caras mais jovens. Pode ser a agricultura portuguesa verdadeiramente competitiva? No programa "A Caminho das Legislativas", que todas as quintas-feiras, na TVI24, debate temas relevantes para uma melhor decisão dos eleitores nas próximas legislativas, constatou-se que da fase da "depressão" passou-se para a "euforia", mas ainda falta bastante para Portugal capitalizar o setor e, sobretudo, ainda falta uma mudança de atitude.

"Há uma melhoria significativa, institucional e de autoestima dos agricultores, mas quero alertar para o perigo de sermos demasiadamente otimistas. Tenho um bocadinho medo [disso]. Estamos longe de poder considerar que temos um crescimento sustentável em alguns aspetos. Há é sobretudo atitude diferente, por um lado da importância que o setor tem e, por outro, do papel que os agricultores sentem que a sociedade lhes atribuiu", afirmou Francisco Avillez, professor de economia e política agrícola.

Alfredo Cunhal Sendim, por sua vez, é empresário agrícola há 25 anos. Concorda que "o grande desafio é a mudança de atitude". No sentido em como se faz agricultura em Portugal e em "como trabalhamos no nosso planeta".

"Ainda falta uma mudança por completo. O modelo agrícola está absolutamente ultrapassado e é pouco responsável. Tem que claramente evoluir para outro paradigma. Agora só vê o imediato. Não produzimos um litro de combustível, um quilo de adubo. Quer em termos de economia, quer de alimentação e soberania alimentar não faz sentido"


Para este engenheiro, a aposta deve passar por pensar a médio e longo prazo e que todos devem reter uma palavra e aplicá-la: a agroecologia, "uma ciência que une a capacidade do homem de entender a natureza, domesticar e cultivar, com a ecologia, que não é mais do que a forma como este planeta vive".

Não dá lucro, atualmente, e isso é um problema, mas "porque a economia está apenas centrada nas atividades humanas e esqueceu-se da forma como mundo funciona. A economia deve ser georreferenciada", defendeu.

Diogo da Silveira, presidente da Portucel, analisou depois o seu setor, o florestal, dizendo que em cada 100 euros que exportamos, cerca de 10 vêm da floresta. "Estando bem pode vir a estar melhor", admitindo, dizendo que no setor agrícola a mudança vem sempre, sobretudo, a partir da iniciativa das pessoas. 
 

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