Casa cheia para receber Sampaio da Nóvoa em Lisboa, no Pavilhão do Casal Vistoso. Amigos, família, mandatários e apoiantes responderam à chamada para o maior comício da campanha. Só Jorge Sampaio faltou.

Eram 13:30 quando o candidato entrou no pavilhão, sob uma verdadeira ovação das 1600 pessoas que aguardavam a sua chegada. Entre os apoiantes, dezenas de figuras conhecida: Ramalho e Manuela Eanes, cuja chegada não passou despercebida, Adalberto Campos Fernandes, Teresa Salgueiro, Jorge Miranda, Carvalho da Silva, entre muitos outros.



Perante um pavilhão repleto de gente, o ministro da Saúde foi o primeiro a subir ao palco para discursar e afirmar que Sampaio da Nóvoa não é um “candidato de plástico”, mas sim o candidato que Portugal "precisa de consolidar um caminho de mudança".
 

"A mudança iniciada em outubro não pode ser interrompida. Acreditamos que com Sampaio da Nóvoa o país ganhará muito no que queremos que seja um impulso para a mudança".


Para o ministro, “nunca como hoje Portugal precisou tanto” de ter como presidente uma pessoa “que tem como principal desígnio o bem-estar do seu povo”.

“É preciso que cada um de nós perceba que estamos no tempo de escolhas decisivas”.

 

Apupos a Marcelo marcam almoço


O nome mais aguardado do domingo de campanha era o de Jorge Sampaio, mas o antigo Presidente da República não pode comparecer por motivos de saúde, tendo enviado uma mensagem de vídeo onde defendeu que o país precisa de "uma maior participação política, uma reforma profunda dos partidos políticos, um bom governo e uma boa oposição".  

"Sampaio da Nóvoa estará nas melhores condições para fazer o diagnóstico das reformas necessárias para ajudar a definir a orientação que se deve adotar e animar o ‘élan' reformador das instituições e dos agentes políticos".


A Sampaio sucedeu-se Sampaio no discurso, recheado de críticas fortes ao principal adversário, Marcelo Rebelo de Sousa, que acusou de não ter “ideias” nem assumir “compromissos”, usando uma “estratégia de afetos” para fazer a sua campanha. Para o candidato presidencial, este tipo de campanha representa um “sinal preocupante” para a democracia.

“Não podemos votar num candidato que agora não tem ideias nem assume compromissos escusando-se atrás numa estratégia apenas de afetos” afirmou Nóvoa, para garantir logo de seguida que a sua candidatura "é a única que pode promover estabilidade, cooperação e solidariedade" em Portugal.

Aplausos para o candidato, mas ainda estava para vir a maior ovação do dia. Dando início ao mais acérrimo ataque a Marcelo, Nóvoa voltou a pegar nos "soldados rasos" para lançar farpas ao adversário.

“Nunca ouvimos a este candidato a preocupação de haver dois países: o país dos mesmos rostos de sempre, que se perpetua na política e no poder mediático, e um outro país, com todos aqueles que independentemente do que deram e dão à causa pública se deveria limitar, ouvi-o dizer, à condição de soldados rasos! Soldados rasos? Mas soldados rasos somos nós todos!"

 

Cavaco volta a ser alvo


Depois do ataque a Marcelo, Sampaio da Nóvoa voltou a apontar baterias contra Cavaco Silva, dizendo que “quando foi preciso defender a Constituição, não foi com o Presidente da República que contámos".


“Que os últimos anos nos sirvam de lição”.


E pegando na constituição, regressou a Marcelo para lhe deixar o recado que “quando foi preciso defender a Constituição e os salários e pensões", o candidato "que agora se diz moderado dizia que isso não lembrava ao careca".

"Pois lembrou, e ainda bem que lembrou".


E já que se falavam em lembranças, Sampaio da Nóvoa aproveitou para recordar os tempos em que trabalhou com Jorge Sampaio.

"Colaborei com ele em Belém nos anos da sua presidência. Em 2004, quando Durão Barroso defendia o financiamento por igual das escolas públicas e privadas, Jorge Sampaio vetou a lei. Em 2010, quando Passos Coelho defendeu o mesmo o candidato que agora se diz da esquerda da direita alinhou com esta proposta ideologicamente radical de ataque à escola pública, de ataque à saúde, de ataque ao estado social. Sei bem do que falo porque acompanhei este dossier com o presidente Jorge Sampaio, porque estive vários anos a trabalhar em Belém".


E reforçou "a trabalhar em Belém, não a comer vichyssoise ou sopas frias”.

Na sala um forte aplauso envolveu Sampaio da Nóvoa, quase tão forte como o abraço com que foi recebido pela mulher e pelo filho, que pela primeira vez marcaram presença num momento de campanha.

 
Marcaram também presença Duarte Cordeiro, Pedro Delgado Alves, Edmundo Pedro, Maria do Céu Guerra, Rui Tavares, Isabel Moreira, Jorge Lacão, Elza Pais, Edite Estrela, Daniel Oliveira, Rosa Mota, André Freire, Pilar del Rio, Miguel Vale de Almeida, Sandra Barata Belo, António Pinto Ribeiro, Vasco Lourenço, Eduardo Paz Ferreira, Eduardo Lourenço e Francisco Ramos.

Sampaio da Nóvoa estará esta noite nos Açores, regressando na segunda-feira à tarde ao continente.