A presidente do CDS-PP entende que a tensão entre PS e BE de que se fala, decorrente da discussão do Orçamento do Estado para 2018, é "mais ruído do que outra coisa", uma vez que o documento foi aprovado.

Nós já estávamos habituados a ver o Bloco de Esquerda e também o PCP a serem apoiantes do Governo à segunda, quarta e sexta e a serem oposição à terça, quinta e sábado"

A centrista destacou que esta semana, no debate na especialidade da proposta de Orçamento do Estado para 2018, estes partidos dedicaram "metade do tempo" a "serem oposição ao Governo e a outra metade a serem apoiantes do Governo".

Por isso, sublinhou, o apoio parlamentar ao Governo "continua a existir" e "este ruído é mais ruído do que outra coisa, porque no final da história este foi o terceiro Orçamento do Estado aprovado por PS, Bloco de Esquerda, PCP e Verdes".

Este é o Orçamento do Estado das esquerdas unidas e o resto é ruído, provavelmente para a sua agenda interna, para as pessoas que o apoiam, mas na verdade não transformou nada".

Quanto ao seu partido, Assunção Cristas lembrou que "o CDS não mudou a sua decisão em momento nenhum", tendo sido "bastante consistente em todas as matérias", e "manteve a sua posição mesmo quando o Partido Socialista fez propostas iguais às que tinha chumbado do CDS, para aprovar as dele, num sinal de sectarismo que não realça nada de positivo na maturidade da democracia".

"O CDS tem sido consistente, tem sido firme, mantém as suas posições, mas há outros partidos que as vão mudando", apontou.

Na segunda-feira, a deputada do BE Mariana Mortágua acusou os socialistas de "deslealdade" e de cederem ao "poder das eletricas", “voltado com a palavra atrás" ao mudar o seu sentido de voto e chumbar uma nova taxa sobre as empresas de energias renováveis.

"Quando era preciso um primeiro-ministro com `nervos de aço´ para responder às empresas que pretendem manter rendas de privilégio, o Governo falhou", lamentou Mariana Mortágua.