Edmundo Pedro, militante antifascista, fundador e dirigente histórico do PS, morreu hoje, em Lisboa, aos 99 anos, disse à agência Lusa fonte do Partido Socialista.

Nascido em 08 de novembro de 1918, no Samouco, concelho de Alcochete, Setúbal, foi preso pela primeira vez aos 15 anos, por participar na organização da greve geral de 1934.

Aderiu ao PCP na década de 1930, onde conheceu Álvaro Cunhal, o líder histórico dos comunistas portugueses, e foi, com o seu pai, Gabriel, um dos primeiros presos políticos do Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, em 1936.

Edmundo Pedro afastou-se do PCP em 1945, e participou em vários movimentos armados, para tentar derrubar o regime.

Em 1973, foi um dos fundadores do Partido Socialista, ao lado de Mário Soares.

Após o 25 de Abril, tornou-se deputado e foi também presidente da RTP, em 1977 e 1978.

Dirigentes do PS afirmaram à Lusa que Edmundo Pedro esteve hospitalizado há cerca de duas semanas e, apesar de debilitado, mantinha-se lúcido.

A poucos meses de cumprir o 100.º aniversário, dizia, a amigos e familiares, que ambicionava fazer 100 anos, segundo testemunho à Lusa de militantes e dirigentes do PS.

Há pouco menos de um ano, numa entrevista ao jornal i, em 9 de fevereiro, Edmundo Pedro confessava que teve uma "vida fantástica", e que, se era "uma questão de gostar", gostaria de viver até aos 150 anos.

Não foi ainda anunciada a data das cerimónias fúnebres do dirigente histórico socialista.

O PS manifestou o seu “mais profundo pesar” pela morte do seu “querido camarada” e dirigente histórico Edmundo Pedro e colocou a bandeira do partido a meia haste na sua sede nacional, em Lisboa.

"Um dos homens a quem devemos a liberdade"

O secretário-geral do PS, António Costa, lamentou a morte do dirigente histórico socialista, de quem lembra a "sua longa luta pela liberdade, antes e depois do 25 de Abril".

Aos 99 anos deixa-nos mais um dos homens a quem devemos a nossa liberdade".

Numa declaração à Lusa, o líder socialista disse que foi "com muita tristeza" que tomou conhecimento da morte de Edmundo Pedro. "Resistente desde sempre à ditadura, demonstrou uma coragem extraordinária, participando em múltiplas tentativas de derrube da ditadura, nunca desistindo perante a constante repressão de que foi vítima desde a juventude, quando foi preso ainda menor, no campo de Concentração do Tarrafal".

António Costa recorda que, em janeiro de 2016, com João Soares, então ministro da Cultura, fez "questão de assinalar o seu nome entre a lista dos prisioneiros no Tarrafal", durante uma visita que efetuou ao local.

"Depois do 25 de Abril destacou-se como militante, dirigente e deputado do Partido Socialista, tendo sido elemento fundamental na articulação civil e militar na defesa da Liberdade contra a deriva totalitária no período da revolução. Durante anos, sofreu em doloroso silêncio acusações que a História veio a confirmar injustas", acrescentou.

O secretário-geral socialista lembrou ainda o legado que deixou, com várias obras, "com o testemunho histórico da sua longa luta pela liberdade, antes e depois do 25 de Abril". "Aos 99 anos deixa-nos mais um dos homens a quem devemos a nossa liberdade".

"Um lutador"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recorda Edmundo Pedro como um “lutador pela liberdade e democracia”.

“O Presidente da República manifesta o seu pesar e apresenta as condolências à família e amigos de Edmundo Pedro, lutador pela liberdade e democracia, fundador e dirigente do Partido Socialista”, lê-se numa mensagem colocada no 'site' da Presidência.

"Um antifascista, grande democrata"

O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, lamentou igualmente a morte de Edmundo Pedro, lembrando-o como um "antifascista, grande democrata".

"Foi com grande tristeza que tive conhecimento do falecimento de Edmundo Pedro. Antifascista, grande democrata, Edmundo Pedro era um amigo por quem tinha uma grande admiração", lê-se numa declaração enviada à Lusa pelo presidente do parlamento e ex-secretário-geral do PS.