«Falsas, absurdas e infundamentadas». É assim que José Sócrates classifica as suspeitas de ilícitos criminais pelas quais foi detido e preso preventivamente, numa declaração por escrito enviada ao jornal « Público» e à TSF, em que alega «legítima defesa».

O ex-primeiro-ministro diz que a sua detenção na sexta-feira foi um «abuso», um «espetáculo montado» e uma «infâmia». E, na sequência disso, a prisão preventiva decretada na segunda-feira foi infundada e constituiu uma «humilhação gratuita».

Nas suas primeiras palavras públicas desde que foi constituído arguido por suspeitas de crimes económicos (fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção), José Sócrates afirma ainda não ter dúvidas que o caso tem contornos políticos que o visam diretamente, e por isso não quer que o PS se envolva. Faz questão de separar as águas:

«Este é um caso da Justiça e é com a Justiça Democrática que será resolvido». «Este processo é comigo e só comigo. Qualquer envolvimento do Partido Socialista só me prejudicaria, prejudicaria o Partido e prejudicaria a Democracia».


Na sua carta, faz uma citação filosófica do «ascetismo», ao dizer que se sente «fora do mundo» desde sexta-feira. Começa logo por fazer uma inversão de papéis: nega os crimes e diz que quem cometeu algum crime foi o Ministério Público, por o ter detido, com base em «falsidades». Promete «responsabilizar os que as engendraram». 

Termina dizendo, em tom confiante, que o processo «só agora começou». 

Sócrates vai receber uma visita de trabalho do seu advogado, que indicou esta quarta-feira que vai recorrer para o Tribunal da Relação, por considerar que a prisão preventiva do seu cliente é «ilegal» e a precedente detenção está ferida de ilegalidade por «questões substanciais», embora não tenha referido quais. 

Sócrates: o preso nº 44 pode ficar em prisão preventiva até março de 2018.

O ex-primeiro ministro já recebeu várias visitas no Estabelecimento Prisional de Évora. Entre elas, a da sua ex-mulher, a quem pediu livros de filosofia, do seu amigo socialista Capoulas Santos e também de Mário Soares que defende o ex-primeiro-ministro socialista, condenando quem tratou José Sócrates como «um cão»