O eurodeputado do PSD José Manuel Fernandes considera «arrojado» mas «possível» o plano de Juncker para aumentar o investimento na Europa, enquanto a socialista Maria João Rodrigues diz que ainda «não é suficiente» para impulsionar o crescimento na Europa.

«A Europa tem défice investimento e o que Juncker acaba de apresentar é positivo na medida em que cria novo apoio investimento europeu, mas a nosso ver não chega» para impulsionar o crescimento na Europa, afirmou a eurodeputada Maria João Rodrigues à Lusa, que defende que é preciso mais recursos para que possam ser, de facto, apoiados projetos estratégicos que habitualmente não conseguem financiamento.

Para isso, disse a eurodeputada, é necessário agora que as instituições europeias consigam mais instrumentos para a proposta hoje apresentada pela Comissão, e que ainda tem de passar pelo Conselho e pelo Parlamento Europeu.

Mas para José Manuel Fernandes, a proposta é «arrojada, não é fácil a sua concretização», uma vez que implica uma grande mobilização da iniciativa privada, «mas é possível».

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, apresentou esta quarta-feira, no Parlamento Europeu, o plano de investimento para a economia europeia, que cria um novo fundo de investimento para mobilizar 315 mil milhões de euros nos próximos três anos.

O novo veículo financeiro, designado Fundo Europeu de Investimento Estratégico e que Juncker quer ter operacional até junho, será dotado de 21 mil milhões de euros, sendo 16 mil milhões de euros de garantias da União Europeia (partidos dos programas já existentes 'Interligar Europa' e 'Horizonte 2020', gerido pelo comissário Carlos Moedas) e 5 mil milhões de euros do Banco Europeu de Investimento (BEI), que terá um papel-chave no esquema.

A partir daqui, Juncker acredita que serão atraídos investidores privados para cofinanciarem projetos, pelo que por cada euro de dinheiro de garantia pública Bruxelas estima que serão mobilizados 15 euros.

Juncker justificou a ausência de dinheiro 'novo' afirmando que «os orçamentos nacionais estão sob pressão» e que a «abundante liquidez [que há nos mercados] pode permitir à Europa crescer sem criar nova dívida».

No entanto, os Estados-membros poderão fazer contribuições para o novo fundo e Juncker deu a indicação de que esses montantes não contarão para procedimento de défices excessivos. Ainda assim, não haverá garantias de que o dinheiro investido pelos países irá para projetos nesses mesmos países.

A Comissão quer que este fundo financie projetos considerados mais arriscados, e que por isso não conseguem financiamento da banca comercial ou do conservador BEI, e apesar de ainda não ter uma lista fechada de projetos, já tem áreas prioritárias, caso da energia, transportes, redes digitais, Investigação e Desenvolvimento e mesmo na capitalização de Pequenas e Médias Empresas.

José Manuel Fernandes considera que Portugal poderá beneficiar muito destes fundos na parte da interconexão de redes energéticas e especialmente de eletricidade.

Já Maria João Rodrigues - que também considera o investimento europeu essencial para Portugal, para projetos de eficiência energética, ligações energéticas e inovação em PME - critica o Governo português, por ainda não feito uma discussão nacional sobre os projetos estratégicos que poderão beneficiar deste plano.

O plano terá ainda de ser apoiado pelos líderes europeus, na cimeira de 18 e 19 de dezembro, e passará também pelo Parlamento Europeu.

José Manuel Fernandes disse que o Parlamento irá tentar, para o novo fundo, sejam utilizados recursos próprios dentro do Orçamento comunitário para servirem de garantia, em vez de os 16 mil milhões de euros saírem de programas já existentes, como o Horizonte 2020, gerido por Carlos Moedas.