A porta-voz do Bloco de Esquerda desvalorizou, na quinta-feira à noite, a avaliação positiva da agência Moody’s à aprovação do Orçamento do Estado, considerando que nunca foram “bons a avaliar o que estava bem ou mal”.

Se nunca achámos que fossem bons a avaliar o que estava bem ou mal, continuamos a achar o mesmo quando são simpáticos no que dizem sobre o orçamento português”, afirmou Catarina Martins.

A coordenadora bloquista falava à agência Lusa no final de uma sessão pública sobre o Orçamento do Estado para 2016, que decorreu no Salão Nobre do Teatro Garcia de Resende, em Évora.

Catarina Martins insistiu que “o Bloco de Esquerda não dá muita credibilidade às agências de ‘rating’”, referindo que, antes da crise financeira de 2008, estas “garantiam que os bancos que provocaram a crise eram absolutamente sólidos”.

A direita talvez esteja um pouco aflita porque estava à espera que as agências de ‘rating’ dissessem o contrário, mas isso é mais um problema da direita, que gosta de ouvir as agências de ‘rating’, do que um problema do Bloco de Esquerda”, realçou.

A agência de notação financeira Moody’s considerou, na quinta-feira, que a aprovação do Orçamento do Estado para 2016 (OE2016) é “positiva” em termos de risco de crédito e melhora a credibilidade orçamental.

A aprovação do OE2016 na generalidade, na terça-feira, com o aval dos três partidos de esquerda que apoiam o Governo socialista (PCP, BE e Os Verdes) é positiva em termos de risco de crédito porque revela a capacidade e vontade do executivo liderado por António Costa “inverter o rumo” em prol de uma orientação orçamental mais realista do que a versão preliminar apresentada em fevereiro, refere a nota da agência de ‘rating’.

Novo Banco: BE defende controlo público

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, defendeu, na quinta-feira à noite, o controlo público do Novo Banco, por considerar que é “estratégico para a economia portuguesa” e já estar pago pela Estado.

É um banco estratégico para a economia portuguesa e o Estado deve assumir o seu controlo, porque já o pagou”

A líder bloquista referiu o Novo Banco “tem quatro mil milhões de euros que dívida pública”, que não se consegue reaver, e “uma grande quota de mercado de PME’s (pequenas e médias empresas), que é onde há a maior parte do emprego em Portugal”.

As pessoas ouvem dizer ‘nacionalizar o banco’ e podem pensar que é preciso comprar o banco. Não é preciso comprar, nós já lá pusemos dinheiro público e ele já foi pago”, disse, defendendo “o controlo público e uma estratégia pública” para o Novo Banco.

Catarina Martins assinalou que “estava planeada a venda do banco” e que a mais recente “data limite era agosto de 2016”, mas observou que “o Governo já garantiu que não o fará tão cedo”.

Essas garantias são ainda poucas, nós continuamos a defender que o Novo Banco não deve ser vendido, porque senão vamos acabar por dar os quatro mil milhões de euros que já lá pusemos ao Santander ou a outro equivalente”, alertou.

O ministro-adjunto do primeiro-ministro, Eduardo Cabrita, reafirmou, na quinta-feira, a intenção do Governo em vender o Novo Banco quando a instituição estiver “estabilizada”.

Na terça-feira, o vice-presidente da bancada parlamentar socialista João Galamba frisou também a intenção de vender o Novo Banco a privados, mas disse ainda que a manutenção da instituição sob controlo público é um último recurso, caso não existam compradores e ofertas válidas.

Na véspera, o PCP tinha apresentado um projeto de resolução para promover o controlo público do “banco bom” originado pela resolução do antigo BES e o investimento por parte do Estado de cerca de 4,9 mil milhões de euros para recapitalizar o fundo de resolução bancária.

Também sobre o tema, o primeiro-ministro e líder socialista, António Costa, disse que “a pressa é má conselheira” e há que “dar tempo para se encontrar uma boa solução” para o Novo Banco.

Na segunda-feira, o economista, conselheiro de Estado de Cavaco Silva e ex-presidente do Novo Banco, Vítor Bento, admitiu que a nacionalização daquela instituição bancária poderá ser “uma saída possível”, considerando que “a venda não será já muito favorável”.