Por: Redacção / CP | 25- 4- 2010 11: 38
O Presidente da República criticou, este domingo, durante o seu discurso do 25 de Abril, os salários e prémios dos gestores.
«A
sociedade é hoje mais justa do que há 36 anos. No entanto, persistem desigualdades, pobreza, exclusão, indignas da memória
dos que fizeram a Revolução. A injustiça é tanto maior quanto nos deparamos quase todos os dias com casos de riqueza imerecida
que nos chocam», afirmou.
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Cavaco recordou o seu discurso de 1 de Janeiro
de 2008, quando se interrogou se «os rendimentos dos altos dirigentes das empresas não serão desproporcionados face aos salários
médios dos trabalhadores».
«O alerta não foi bem acolhido por alguns, mas não me surpreende que hoje sejam muitos
os que se vêem indignados com os salários, as compensações e os prémios concedidos a gestores de empresas», criticou.
O chefe de Estado frisou que estas «injustiças sócias e falta de ética» provocam «efeitos corrosivos para a confiança
nas instituições» e «criam sentimentos de revolta».
Cavaco elogiou os capitães de Abril, que considerou «um exemplo
notável para os portugueses dos nossos dias que tantas vezes cedem perante seduções vazias e efémeras da sociedade de consumo
e medem o valor dos homens pelo dinheiro ou bens que ostentam».
O Presidente exigiu ainda um «dever de memória»,
para que se ensine aos portugueses que nasceram depois do 25 de Abril de 1974 o que significou a Revolução da liberdade.
Dúvidas
quanto ao futuro do país
O Presidente da República alertou para as dúvidas que se acumulam quanto ao futuro do
país, exortando os portugueses a acreditar em si próprios e a aproveitar as oportunidades, como o mar e as indústrias criativas.
«Deixámos
o império, abraçamos a democracia, escolhemos a Europa, alcançámos a moeda única, o Euro. Mas duvidamos de nós próprios. Os
portugueses perguntam-se todos os dias: para onde é que estão a conduzir o país? Em nome de quê se fazem todos estes sacrifícios?»,
salientou.
A prova de que se «acumulam dúvidas quanto ao futuro do país», frisou, está no número de jovens que parte
para o estrangeiro, entre os quais alguns dos «mais qualificados e promissores».
Mas, porque na maioria deles persiste
o desejo de regressar, Portugal não deve desperdiçar esse «potencial», caso contrário, o país poderá transformar-se um «país
periférico», defendeu.
Por isso, exortou o chefe de Estado, «não podemos perder tempo, porque a concorrência será
implacável» e, quem ficar para trás, terá de fazer um enorme esforço de recuperação.
«No mundo actual, não esperemos
que os outros nos ajudem se não acreditarmos em nós próprios, se formos incapazes de fazer aquilo que nos cabe fazer», acrescentou,
sustentando que no dia de hoje se celebra a esperança dos que acreditaram, sobretudo em si próprios.
«Sem ilusões
nem falsas utopias, devemos acreditar porque temos razão para isso», enfatizou.
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