O PCP denunciou, esta quarta-feira, atos do Governo PSD/CDS em gestão que prejudicam o Serviço Nacional de Saúde. Foi acompanhada por BE e PS nas acusações. Os sociais-democratas, na reação, alertaram para a atuação anterior de executivos "rosa".

"PSD e CDS, que ao longo de quatro anos tiveram uma política desastrosa para o SNS, tomaram medidas que enfraqueceram a resposta pública e agravaram o acesso dos utentes à saúde, insistem no seu desmantelamento, tendo tomado, nos últimos dias de vida de um governo em gestão um conjunto de medidas que aprofunda o caminho de diminuição da resposta pública do SNS, transferindo-o para o privado", afirmou a deputada comunista Carla Cruz em declaração política no parlamento, ao apontar vários exemplos regionais.

O deputado bloquista Moisés Ferreira citou também unidades de cuidados de saúde "que desapareceram" através de um "despacho, metido à socapa, na última sexta-feira" e defendeu "um caminho que não pode continuar a ser de desinvestimento" naquela área, referindo-se ao próximo Governo do PS, o qual, considerou, deve "travar a entrada em vigor" das medidas.

"Serão talvez complexos de afirmação do ministro Leal da Costa [ex-secretário de Estado da Saúde de Paulo Macedo] para, a escassos dias de deixar o cargo, deixar a sua marca sinistra", afirmou a socialista Luísa Salgueiro, prometendo "todo o esforço para, com apoio das bancadas de BE e PCP, tentar impedir que haja serviços para ricos e para pobres".

O deputado social-democrata Miguel Santos lembrou que na última legislatura houve "6,5 milhões de portugueses isentos de taxas moderadoras na saúde" e que "os orçamentos de saúde foram sendo consecutivamente reforçados", bem como "26 hospitais ou novos centros de saúde foram construídos ou abertos".

O parlamentar do PSD esclareceu que o despacho concretiza um relatório de uma comissão especializada e lembrou que o exemplo de Amarante se deveu a uma decisão de 2008, ainda do Governo socialista de José Sócrates.

"A sra. deputada [Carla Cruz] deve estar atenta a esta bancada [apontando para a do PS], na área da saúde, porque, se for igual aos últimos anos em que esteve no governo, é mesmo preocupante", aconselhou Miguel Santos.

A parlamentar comunista recordou ainda "notícias e relatos que dão conta das dificuldades dos jovens médicos em acederem a uma especialidade", alertando para que, "este ano, pela primeira vez, podem ficar mais de uma centena de médicos sem colocação, dado o número insuficiente de vagas face ao número de internos que terminaram formação".

"O Governo PSD/CDS deixa, contrariamente a tudo o que disse nestes longos e negros anos de governação, os cuidados de saúde primários mais debilitados. Não cumpriram a promessa de atribuir um médico de família a todos os portugueses e o enfermeiro de família continua a ser uma miragem na esmagadora maioria dos centros de saúde", criticou.