O antigo Presidente da República, Ramalho Eanes, criticou a Europa por considerar que a liderança das instituições europeias tem o “pensamento único” da Alemanha e os países que não alinham são “fustigados”.

O pensamento único é o da Alemanha e por ele todos alinham. E quando algum não alinha, é de imediato fustigado, como foi a Grécia, em certa medida bem, e como estamos a ser nós e, em meu entender, Deus queira que não, viremos a ser nós”, afirmou.

O ex-chefe de Estado respondia à pergunta de uma aluna sobre a Europa, no 2.º Encontro/Debate com Jovens no âmbito das comemorações dos 40 anos das primeiras eleições presidenciais em democracia, que decorreu na Universidade de Évora.

Na sessão, moderada pelo jornalista Joaquim Letria e na qual participou o atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o antigo chefe de Estado considerou ainda que, na Europa, “todas as soluções chegam tarde e chegam mal”.

“Quem olha para a Europa não pode deixar de ficar preocupado”, disse também, apontando vários exemplos de ameaças, como os problemas de insegurança em França ou a questão dos refugiados.

Durante o debate, com alunos de escolas secundárias e da Universidade de Évora, que encheram o auditório, Ramalho Eanes abordou várias temáticas sobre a transição de Portugal da ditadura para a democracia e a evolução do país nos últimos 40 anos.

Na sessão de abertura do encontro com os jovens, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu que, por vezes, os jovens entendem a democracia como “um dado adquirido”, mas lembrou que esta “constrói-se ou destrói-se todos os dias”.

Num balanço sobre os 40 anos de democracia no país, o atual chefe de Estado considerou que o saldo é “positivo”, apesar de ainda ficar “aquém daquilo que se deseja, aquém daquilo que é necessário”.