O CDS-PP acaba de anunciar que vai votar contra o Orçamento Retificativo, que está em discussão e votação na Assembleia da República, nesta quarta-feira.

O deputado do CDS-PP João Almeida anunciou que os centristas votarão contra o Orçamento Retificativo, argumentando que não é aceitável que os contribuintes sejam chamados a pagar a solução para o Banif.

“Não é aceitável que se peça isto aos contribuintes e, por isso, esta proposta que não está bem explicada e que não está bem feita, não pode ter outro voto que não seja o nosso voto contra”, afirmou  João Almeida. 


João Almeida argumentou que o PS agiu neste caso como no BPN, chamando "a responder em primeiro lugar os contribuintes", ao passo que PSD e CDS-PP, no caso do BES, chamaram a responder em primeiro lugar o sistema financeiro.

"O PS, quer no BPN, quer no Banif, chamou a responder, em primeiro lugar, os contribuintes. O PSD e o CDS, quando tiveram de resolver a situação do BES, chamaram a responder, em primeiro lugar, o sistema financeiro", acrescentando o deputado centrista que "as pessoas não entendem por que é que esta solução pedir aos contribuintes 1.700 milhões de euros e pedir ao sistema financeiro apenas 490 milhões de euros". 

O deputado centrista defendeu também que a decisão do Governo e do Banco de Portugal de vender o Banif ao Santander Totta resultou de uma fuga de informação.

"Esta decisão não tinha de ser tomada agora, não tendo existido a fuga de informação que existiu", afirmou.

João Galamba, do PS, respondeu imediatamente a João Almeida: “Voltou o CDS sem um pingo de respeito pelos portugueses. Este seu discurso, senhor deputado, eu não sabia se devia rir, se devia chorar, mas confesso que ri um bocadinho".

"Este não é o orçamento do partido socialista, este é o orçamento que retifica a inação da direita portuguesa”, disse João Galamba. 


A posição do CDS tem ainda uma segunda leitura, depois de anunciado o fim da coligação entre o PSD e o CDS. Tudo indica que os sociais-democratas vão viabilizar o Retificativo abstendo-se na votação do Retificativo. As palavras de Passos Coelho, há dias, indiciam isso: "Não teria uma solução muito diferente desta que foi adotada"

No início da discussão do Orçamento Retificativo, Eduardo Ferro Rodrigues anunciou que o PSD tinha pedido uma interrupção de trinta minutos depois da discussão na generalidade para uma reunião do seu grupo parlamentar.
A discussão e votação do retificativo foi agendada para esta quarta-feira, depois do anúncio, no domingo, pelo Governo e o Banco de Portugal da venda do Banif ao Banco Santander Totta, por um valor de 150 milhões de euros, no âmbito da medida de resolução aplicada ao banco cuja maioria do capital pertencia ao Estado português, de forma a impedir a sua liquidação, numa operação que envolve um apoio público estimado em 2.255 milhões de euros.