Esta posição de António Galamba, que foi membro das direções socialistas lideradas por António José Seguro, foi transmitida na reunião da Comissão Política Nacional do PS, que analisa a possibilidade de celebração de um acordo de incidência parlamentar com o PCP e Bloco de Esquerda, tendo em vista a formação de um executivo alternativo ao da coligação PSD/CDS.

Numa nota síntese da sua intervenção, António Galamba considerou caraterizados pela "fragilidade" os compromissos que estão para ser assumidas com as forças políticas à esquerda do PS.

"Por escrito e nesta reunião é pouco mais que uma mão cheia de nada. E já não estou em idade de acreditar no Pai Natal, no legítimo ou no das esquerdas à nossa esquerda", refere o dirigente socialista.

Ainda na sua intervenção, o ex-membro do Secretariado Nacional do PS defendeu depois a tese de que, "tanto se serve Portugal no Governo, como na oposição", que "quem ganha governa e quem perde fica na oposição".

"Não o fazer é assumir uma PPP com a esquerda à nossa esquerda cuja fatura será apresentada em futuras eleições legislativas, nas regionais dos Açores em 2016 e nas autárquicas em 2017. É que, estando o PCP e o Bloco de Esquerda para deixar de lado as questões da União Europeia, da zona euro ou da NATO, é legítimo perguntar com quem será feita a maioria para sustentar as medidas concretas para cumprir as obrigações nesse âmbito", aponta António Galamba.

Para António Galamba, na presente conjuntura política, "a questão não é de constitucionalidade nem, sobretudo, de legitimidade, sendo antes política".

"Não o fazer, sem ponderar os riscos futuros e sem a participação dos militantes, é hipotecar muito mais do que o resultante da subscrição do memorando com a ‘troika' (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário). Não contam com o meu acordo. Há sempre alguém que diz não", acrescentou.