O primeiro-ministro António Costa admite que a venda da participação do Estado no Banif ao Santander Totta “tem um custo muito elevado para os contribuintes”, mas defende que é melhor de entre todas as soluções avaliadas.
 

“Esta venda tem um custo muito elevado para os contribuintes. Mas é, no quadro das soluções hoje possíveis, a que melhor defende o interesse nacional.”

 

“A opção do Governo e do Banco de Portugal foi tomada tendo em conta a proteção dos depositantes, a defesa dos postos de trabalho, a salvaguarda da economia, em especial das regiões autónomas e a defesa da estabilidade do sistema financeiro”, garante António Costa.

 
O primeiro-ministro esclarece que a participação do Estado no Banif ao Santander Totta foi feita “num contexto de resolução”, tal como tinha já sido adiantado pelo Banco de Portugal em comunicado. “Considero que, como primeiro-ministro devo dirigir-me aos portugueses, para explicar os contextos e as razões desta decisão”, diz.
 

“A solução a que foi possível chegar protege integralmente, tal como garanti anteriormente, todos os depósitos, incluindo as poupanças dos emigrantes portugueses confiadas ao Banif fora do território nacional”, reforça António Costa.

 
O chefe de Governo sublinha ainda as “condições adversas” em que foi tomada a decisão anunciada este domingo. “Quando o Governo tomou posse há pouco mais de três semanas, foi confrontado com uma situação de urgência, que era, no entanto, conhecida das autoridades portuguesas há mais de um ano. Foi nestas condições adversas que foi feita a venda da atividade do Banif ao Santander Totta, o que não deixou de se refletir no elevado custo desta operação”, disse
 
O Banco Santander Totta comprou a participação do Estado no Banif por 150 milhões de euros, anunciou este domingo o Banco de Portugal. "As autoridades nacionais decidiram hoje a venda da atividade do Banif e da maior parte dos seus ativos e passivos ao banco Santander Totta por 150 milhões de euros", referiu o supervisor em comunicado.
 
O Banco de Portugal assegura que a “solução garante a total proteção das poupanças das famílias e das empresas confiadas ao Banif, quer depósitos quer obrigações seniores”.

“Manter-se-á o normal funcionamento dos serviços até agora prestados pela instituição. Os clientes podem realizar todas as operações como habitualmente quer aos balcões quer nos canais eletrónicos. Os clientes do Banif passam a ser clientes do Banco Santander Totta e as agências do Banif passam a ser agências daquela instituição”, esclarece. 

Na sexta-feira, o Banif recebeu seis propostas de compra da participação do Estado. Entre os interessados, para além do Santander, estava o também espanhol Popular, a gestora de fundos Apollo Global Management e um fundo chinês.

As ações do Banif estão suspensas de negociação desde quinta-feira, por decisão da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que disse estar a aguardar a “prestação de informação relevante” sobre o processo de venda. Quando foram suspensos, os títulos estavam a valorizar 43% para 0,002 euros (0,2 cêntimos).