O CDS-PP anunciou esta terça-feira que vai avançar com uma candidatura própria em Loures, rompendo com a coligação com o PSD. Em causa está a polémica levantada pelas declarações de André Ventura, candidato à Câmara Municipal de Loures, sobre a comunidade cigana.

No seguimento das recentes declarações do candidato à Câmara Municipal de Loures, Dr. André Ventura, e depois do CDS ter manifestado no seio da coligação o seu profundo incómodo com as referidas afirmações, decidiu o CDS seguir um caminho próprio no Concelho de Loures nestas eleições autárquicas de 2017", informou João Gonçalves Pereira, presidente da Distrital de Lisboa do CDS, em comunicado enviado às redações.

Na segunda-feira, numa entrevista ao jornal i, André Ventura disse que há "grupos que, em termos de composição de rendimento, vivem exclusivamente de subsídios do Estado" e acusou a comunidade cigana de ter uma cultura de "impunidade".

"A etnia cigana tem de interiorizar o Estado de Direito, porque, para eles, as regras não são para lhes serem aplicadas. Há um enorme sentimento de impunidade, sentem que nada lhes vai acontecer", disse.

Numa entrevista anterior, no dia 13 de julho, ao portal Notícias ao Minuto, o candidato autárquico já tinha falado sobre uma alegada "excessiva tolerância com alguns grupos e minorias étnicas".

As afirmações motivaram uma queixa à Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial contra o candidato do PSD/CDS-PP/PPM, por parte do candidato do BE, Fabian Figueiredo, por "declarações contra as minorias étnicas". Na segunda-feira, o BE apresentou mesmo queixa-crime no Ministério Público e à Ordem dos Advogados por "declarações xenófobas".

A esta polémica, André Ventura reagiu em comunicado. O advogado e professor universitário rejeitou ter tido qualquer intenção xenófoba ao falar em público da comunidade cigana e sublinhou que apenas criticou situações de incumprimento da lei.

"O que preocupa a candidatura são questões de segurança e cumprimento da lei, na defesa do património público e das pessoas de bem, independentemente da raça ou etnia. (...) Boa parte das pessoas que fica muito incomodada quando são denunciadas estas situações nunca se deslocou a algumas dessas zonas e não tem ideia do 'barril de pólvora' que lá se vive diariamente", referiu o candidato.

Na mesma nota, o candidato defendeu que o poder autárquico e o Estado não se podem conformar com situações de desordem pública em que as autoridades não conseguem repor a ordem, referindo-se a "zonas mais problemáticas" do concelho de Loures em que "frequentemente a polícia é recebida com atos de violência".

Na segunda-feira, numa mensagem escrita na página no Facebook, Ventura afirmara: "Nunca me senti tão só. E tão apoiado por milhões!". 

PSD mantém apoio 

O PSD mantém o apoio ao candidato à Câmara Municipal de Loures, disse entretanto à Lusa uma fonte da direção, que também lamentou que os centristas tenham rompido a coligação.

“O PSD mantém o apoio ao candidato do partido à Câmara Municipal de Loures. Lamentamos que o CDS não mantenha esse apoio, mas respeitamos a posição agora assumida pelo CDS”, referiu fonte da direção do PSD.