A líder do CDS, Assunção Cristas, admitiu apoiar um candidato independente à Câmara de Lisboa nas eleições autárquicas de 2017, afirmando ver “com mais dificuldade” alguém do PSD a encabeçar a lista.

Em entrevista publicada hoje no jornal i e cerca de um mês depois de substituir Paulo Portas, Assunção Cristas adiantou que o candidato à Câmara de Lisboa “pode ser uma pessoa do CDS”, mas também “pode ser um independente”.

Questionada sobre se vai ser candidata à Câmara de Lisboa, Assunção Cristas respondeu que no partido há pessoas “que cumprem o perfil” que traçou no congresso “para uma candidatura forte e mobilizadora”.

A líder popular disse também que “veria com mais dificuldade” uma candidatura a Lisboa encabeçada por uma pessoa do PSD.

O que eu acho desejável para o CDS, que vai ter nas eleições autárquicas um primeiro momento importante, é disputar essas eleições com ambição. Temos de trabalhar para ter peso autárquico. Lisboa é relevante, mas também são outras terras e não é por acaso que o nosso conselho nacional vai ser na Meda, onde a câmara é governada pelo PS, mas em que o CDS tem o mesmo número de vereadores e por pouco não ganhou”

Na entrevista, Assunção Cristas disse também que “um partido com ambição de crescer tem de ter ambição de ter um primeiro-ministro”.

A líder do CDS sublinhou também que não sente que Nuno Melo seja uma espécie de plano B para muitos militantes se a sua liderança correr mal.

Genuinamente, as pessoas estão satisfeitas, mesmo quem tinha e tem essa ligação com Nuno Melo. Sentem que esta liderança está para somar, não para dividir, para permitir ao partido crescer, potenciando a diversidade dos seus militantes”

Sobre a relação entre o CDS e o PSD, Assunção Cristas disse que “os dois partidos têm o desafio de crescer", salientando que os resultados foram melhores quando os partidos concorreram separadamente".

Com quem nos vemos a governar é com o PSD, não é certamente com um PS que prefere olhar para as esquerdas”

Questionada sobre o convite do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a Mario Draghi para fazer um discurso aos seus conselheiros, a líder do CDS disse achar “estranho e novo”.

A possibilidade de conselheiros de Estado poderem ouvir e questionar e obter respostas do presidente do BCE isso é positivo. Há outra coisa que fica clara com esta iniciativa do PR: o sistema banqueiro em Portugal é muito mais supervisionado pelo BCE do que alguma vez foi”

Assunção Cristas considerou ainda que “não achou ideal” a participação de Draghi na primeira reunião do Conselho de Estado.

Mas o senhor Presidente deve ter entendido que o sistema financeiro está de tal forma mal que trouxe cá Draghi, que antes do Conselho de Estado esteve num almoço em que essas coisas terão sido discutidas"