O Presidente da República falou este domingo, informalmente, sobre a privatização da TAP e a palavra que utilizou foi "aliviado". O chefe de Estado disse, ainda, que sendo a maioria do capital do consórcio vencedor português, todos devemos "aplaudir". 

Em conversa informal com os jornalistas, que teve lugar durante as 3 horas e meia num voo fretado precisamente à TAP, com destino Sófia - a capital da Bulgária, onde inicia na segunda-feira uma visita oficial -, Cavaco Silva recordou que só por uma vez falou da companhia aérea, para desejar "que não acontecesse à companhia portuguesa o mesmo que a outras companhias europeias de bandeira", que despediram milhares de pessoas e cancelaram rotas, como foi o caso da polaca, da italiana e a de Chipre - que acabou mesmo por encerrar.

Sobre o que pensa a União Europeia sobre o negócio, Cavaco Silva admitiu "não ter nenhum dado na algibeira" (e com algum humor, virou mesmo um dos bolsos para mostrar que estava vazio), mas disse que as informações de que dispõe - e que lhe chegam através do governo português e da Direção Geral da Concorrência da UE - "apontam para que a TAP tenha a possibilidade de permanecer como companhia europeia autónoma, com hub em Portugal, satisfazendo o serviço público" e cumprindo as obrigações que tem com os PALOPs e Brasil.

A privatização da TAP, recorde-se, foi ganha por   David Neelman, que fica com 61% da empresa. O negócio pode chegar aos   488 milhões de euros, dependendo da performance da companhia aérea durante este ano. 

Questionado sobre se esperava um encaixe maior para o Estado, o Presidente encolheu os ombros: "Quanto se dá por uma empresa que tem uma dívida de 1.060 milhões de euros?", deixou no ar. Já quanto ao negócio poder ainda ser revertido, o Presidente voltou a usar a expressão empregue no discurso do 10 de Junho: não embarca em desânimos nem pessimismos.

Precisamente quanto às críticas do seu discurso das comemorações do dia de Portugal, Camões e das comunidades portuguesas (a oposição acusou o Presidente de já estar a fazer campanha pela coligação), Cavaco Silva disse que não participa em jogadas de natureza político-partidária, garantiu que não cede a pressões - venham elas da direita, da esquerda, do centro ou das costas - até porque, lembrou, ganhou quatro eleições com mais de 50% dos votos. O seu "ego" está "satisfeito", "no máximo", gracejou.