O líder do PSD admitiu segunda-feira que as obras públicas que o governo pretende discutir com a oposição poderão ser as que já estavam definidas como prioritárias pelo anterior governo e não foram feitas para reduzir o défice.

Tenho uma desconfiança de que as obras públicas que o governo está a pensar são todas aquelas que já estão decididas como prioritárias, estavam ao abrigo do Portugal 2020, mas o governo simplesmente não as fez porque tomou a opção - é a opção do governo, que nós respeitamos - de colocar o investimento público ao nível mais baixo de há muitos anos no nosso país, para cumprir a meta do défice", disse.

Para Pedro Passos Coelho, que falava durante um encontro com apoiantes da coligação PSD/CDS-PP que concorre às eleições autárquicas para a Câmara de Palmela, "foram feitas escolhas" que implicaram que muitas das obras contratualizadas, ou previstas e calendarizadas ainda com o governo anterior, não tivessem sido realizadas pelo atual governo socialista.

"Falo, a título de exemplo, da ligação para mercadorias em bitola europeia, a partir de Sines até Caia (Espanha), como a valorização de toda a ligação de Aveiro até Espanha, muito relevante para as exportações portuguesas - e não só -, para que futuras empresas se venham a colocar perto destas localizações para transformar produtos que possam aportar a Portugal e a partir daqui ser exportados, quer por via marítima quer por caminho-de-ferro, para a Europa. Tudo isso estava previsto lá, não foi feito nada", disse.

"Foi aqui recordada a questão do aeroporto de Lisboa. Se nós estivéssemos no governo já estavam iniciadas as obras para a ampliação do aeroporto de Lisboa. Não é compreensível que dois anos depois esteja tudo na mesma", acrescentou.

No encontro em Palmela, Pedro Passos Coelho acusou também o PS de se querer apropriar do trabalho realizado pelo anterior executivo para colocar em prática a escolaridade obrigatória de doze anos, durante o período da ‘troika’, em condições muito difíceis.

"Em 2009, o governo do engenheiro José Sócrates quis aprovar à pressa, antes das eleições, na Assembleia da República, o alargamento da escolaridade obrigatória para doze anos", disse o líder do PSD, acrescentando que, até 2011, os socialistas nada fizeram para implementar a decisão, mas agora querem apropriar-se do facto de haver muito mais gente a entrar no ensino superior.

"Nós sabemos reconhecer bem a esperteza saloia, mas sabemos como é importante para o futuro tomar a tempo as medidas que são importantes para o nosso crescimento futuro, para o nosso bem-estar futuro, e para o nosso desenvolvimento futuro. E futuro é o que tem faltado a este governo", acrescentou Passos Coelho, que também não poupou a maioria de esquerda no Parlamento pela reversão de diversas medidas do anterior governo PSD/CDS-PP.

No encontro em Palmela, o cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP, Paulo Ribeiro, defendeu que o maior adversário de sociais-democratas e populares no concelho de Palmela não é a atual maioria CDU nem o PS, mas a elevada taxa de abstenção, que nas eleições autárquicas de 2013 foi de 62%, a terceira maior do país.