O antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes anunciou que é candidato à liderança do PSD nas eleições diretas marcadas para 13 de janeiro.

Hoje é um dia de boas noticias, Portugal ganhou e eu sou candidato à liderança do PPD/PSD", afirmou no seu espaço de comentário na SIC, acrescentando: "Candidato-me para levar o PPD/PSD a disputar as eleições de 2019 e para as ganhar, não para ser segundo, mas para ser primeiro".

Além de chefe de Governo, Santana Lopes foi líder do PSD, presidente das Câmaras da Figueira da Foz e da de Lisboa e desempenha atualmente as funções de provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Santana Lopes adiantou que só apresentará publicamente a sua candidatura na próxima semana e revelou que manifestou ao presidente do partido, Pedro Passos Coelho, a sua preferência pela realização de diretas em janeiro, a opção que acabou por ser aprovada na segunda-feira em Conselho Nacional.

Sobre a Santa Casa, disse ter pedido ao primeiro-ministro, António Costa, a cessação de funções, mas admitiu que ainda precisará de algumas semanas para finalizar o seu trabalho, depois de ter sido conhecida uma carta de despedida aos funcionários, enviada esta terça-feira.

O antigo primeiro-ministro disse que para tomar esta decisão apenas “pediu licença” aos filhos, que lhe deram “via verde” e até o encorajaram.

"Dever de avançar"

Questionado sobre o que o move para, aos 61 anos, voltar a submeter-se a votos no partido e, se ganhar, no país, respondeu que foi a convicção de ter “o dever de avançar”.

Santana Lopes fez uma diferença em relação à sua recusa recente de ser candidato autárquico em Lisboa: “Deixar a Santa Casa, onde adoro o trabalho que faço, para me candidatar a presidente da Câmara Municipal de Lisboa não fazia sentido, aqui está em causa o país”.

Recusando que possa vir a ser um líder de transição, Santana Lopes apontou uma outra razão para assumir este desafio, lembrando que defendeu, em geral, o trabalho do ainda líder do PSD e ex-primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

Os partidos têm de ser pessoas de bem. Também me apresento por isso, não é para defender herança nenhuma, mas não me parece bem que um partido possa ser entregue a quem, numa altura tão difícil para o país, passou a vida a pôr em causa esse trabalho de salvação nacional”, justificou, numa referência ao candidato já anunciado, Rui Rio, que apresenta na quarta-feira a sua candidatura em Aveiro.

No entanto, disse que, na campanha interna, não irá nunca dizer mal do seu adversário, assegurando ter muita consideração pessoal por Rui Rio.

Sobre as diferenças entre ambos, apontou o posicionamento político: “Eu não tenho propensão para fazer um Bloco Central”, disse, admitindo, contudo, que Rio aproveitará a apresentação da sua candidatura para esclarecer esta e outras questões.

Santana afirmou que defende pactos de regime em áreas como as Obras Públicas, a Justiça e a Saúde, além da Segurança Social, embora admitindo que nesta área possa ser mais difícil.

Venho para marcar bem a alternativa e, se o dr. António Costa não levar a mal, para lhe ganhar as eleições de 2019”, disse, considerando que não é por haver acordos em certas matérias que os partidos não afirmam as suas diferenças.

“Se for eleito líder do PPD/PSD, não vão passar a vida a ver-me zangado, vão ver-me muitas vezes a dizer ‘estou de acordo’”, acrescentou.

No entanto, disse não poder haver cedências, por exemplo, no apuramento de responsabilidades sobre os incêndios de Pedrógão ou do furto de material de guerra em Tancos.

“Não serei um líder distante, mas próximo”, prometeu, dizendo, em tom de brincadeira, não querer roubar o pelouro dos afetos ao Presidente da República.

A este propósito, Santana considerou injustas as críticas feitas a Marcelo Rebelo de Sousa por o ter recebido na segunda-feira, embora admitindo tê-lo informado sobre a sua decisão de se candidatar à liderança do partido.

Reposicionar o partido - “trazer de novo o PPD/PSD” - foi outra das promessas que deixou, caso seja eleito, e assegurou que, quando fizer a formalização da sua candidatura, irá apresentar o que chamou de “equipa de luxo de gente nova”, dizendo contar com muitos apoios pelo país na geração dos 30/40 anos.

Não faço tenções de ser um presidente que fala todos os dias e aparece todas as semanas”, afirmou, dizendo que, em caso de vitória, terá uma equipa de porta-vozes permanentes.

Nesta geração, apontou como exemplos de rostos do PSD que gostaria que tivessem mais destaque os atuais deputados Miguel Morgado e Duarte Marques.

Dizendo ser-lhe “indiferente” que se apresentem ou não mais candidatos à liderança do PSD, Santana Lopes assegurou que só começou a ponderar a candidatura depois das autárquicas, desejou que a campanha interna possa ser civilizada e, questionado sobre o que fará se perder, respondeu: “Vou ser livre”.

A Comissão Política Nacional do PSD decidiu, esta segunda-feira, a realização das eleições diretas para escolher o presidente do partido a 13 de janeiro. Já o Congresso ficou marcado para 16, 17 e 18 de fevereiro.

Caso haja mais de dois candidatos e nenhum obtenha maioria absoluta, a segunda volta realiza-se a 20 de janeiro.

O prazo limite para a entrega de candidaturas e moções de estratégia global será 2 de janeiro de 2018 e a campanha eleitoral decorrerá entre 2 e 12 de janeiro, num total de dez dias.

A carreira de Santana Lopes

Primeiro-ministro entre julho de 2004 e março de 2005, Pedro Miguel Santana Lopes nasceu a 29 de junho de 1956 e é militante do PSD desde 1976, tendo chegado pela primeira ao parlamento pelas listas sociais-democratas em 1980.

Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros no X Governo Constitucional, no primeiro Governo de Cavaco Silva, de novembro de 1985 a agosto de 1987, deputado ao Parlamento Europeu de julho de 1987 a julho de 1989, e secretário de Estado da Cultura do XI e XII Governos Constitucionais, foram outros dos cargos exercidos por Santana Lopes.

A experiência autárquica de Santana Lopes começou na Figueira da Foz, exercendo a presidência desta autarquia entre 1998 e 2001, quando se candidatou e venceu contra o socialista João Soares a Câmara Municipal de Lisboa.

Exerceu o mandato entre janeiro de 2002 e julho de 2004 e, depois, de março a setembro de 2005.

Entre esses dois períodos, Santana Lopes assumiu a liderança do PSD - quando Durão Barroso saiu para ocupar o cargo de presidente da Comissão Europeia em Bruxelas - e o cargo de primeiro-ministro do Governo de coligação PSD/CDS-PP, mas sem ir a votos.

Santana Lopes era então vice-presidente do PSD - depois de em 2000 ter disputado e perdido a liderança do partido para Durão Barroso - e foi eleito líder do PSD em Conselho Nacional e depois confirmado em Congresso.

No entanto, em dezembro, poucos meses depois de tomar posse, o então Presidente da República Jorge Sampaio acaba por dissolver a Assembleia da República e Santana Lopes demite-se, ficando-o Governo em gestão até às eleições legislativas de março de 2005.

Nas eleições, o PS de José Sócrates alcançou a sua primeira maioria absoluta, e Santana Lopes voltou à Assembleia da República. Quando Luís Filipe Menezes ganhou a liderança do partido a Marques Mendes em outubro em 2007, assumindo a presidência do grupo parlamentar.

Em 2008, disputou pela segunda vez a liderança do PSD, que perdeu para Manuela Ferreira Leite, ficando atrás do segundo candidato mais votado, Pedro Passos Coelho.

Em 2009 foi, de novo, candidato ao município de Lisboa pelo PSD, o CDS-PP, o MPT - Partido da Terra e o PPM, mas perdeu para António Costa, mantendo-se, no entanto, como vereador da oposição, líder de bancada do PSD, até ao anúncio da candidatura de Fernando Seara, em 2013.

Desde 2011, ocupa o cargo de provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, sendo já a personalidade que por mais tempo ocupou o cargo desde o 25 de abril.

Nas eleições presidenciais de 2011, chegou a ponderar uma candidatura, tal como nas últimas autárquicas, quando foi desafiado pelo líder do PSD Pedro Passos Coelho a concorrer novamente à Câmara da capital, mas, em ambos os casos, acabaria por não se apresentar a votos.