A Comissão Política Nacional do PSD decidiu, esta segunda-feira, em Conselho Nacional a realização das eleições diretas para escolher o presidente do partido a 13 de janeiro. Já o Congresso ficou marcado para 16, 17 e 18 de fevereiro.

O anúncio foi feito pelo secretário-geral do PSD, José Matos Rosa, no final do Conselho Nacional do partido, segundo o qual a proposta foi aprovada "por esmagadora maioria".

Em cima da mesa, estava outra proposta que previa diretas a 9 de dezembro e congresso em janeiro.

A Comissão Política Nacional colocou a votação do Conselho Nacional estas duas propostas, sendo que o cenário mais tardio obteve o voto da "maioria esmagadora" dos conselheiros.

Segundo o regulamento e cronograma hoje aprovados, caso haja mais de dois candidatos e nenhum obtenha maioria absoluta a segunda volta realiza-se a 20 de janeiro.

Matos Rosa indicou ainda que o prazo limite para a entrega de candidaturas e moções de estratégia global será 2 de janeiro de 2018 e a campanha eleitoral decorrerá entre 2 e 12 de janeiro, num total de dez dias.

Já o pagamento de quotas para a inclusão nos cadernos eleitorais e o rateio de delegados será a 15 de dezembro.

O secretário-geral do PSD anunciou ainda que o próximo Congresso será também de revisão estatutária: neste caso, a data limite para apresentação de propostas de alteração dos estatutos será a 31 de janeiro, que é também a data para a entrega de propostas temáticas.

Matos Rosa indicou que a data limite para inscrição de delegados ao congresso será 25 de janeiro, com o Congresso a realizar-se a 16, 17 e 18 de fevereiro em Lisboa.

A proposta apresentada pelo deputado e antigo líder da JSD Duarte Marques de realizar um congresso prévio às diretas não foi admitida a votos por não constar da ordem de trabalhos inicialmente estabelecida.

Ainda assim, o autor da proposta congratulou-se com o facto de o próximo congresso ser também estatutário, o que permitirá a discussão desta e de outras propostas.

A proposta de calendário mais apertado - diretas já em dezembro e congresso em janeiro - acabou por ter o voto de menos de uma dezena de conselheiros nacionais, a maioria apoiantes de Rui Rio, que apresentará a sua candidatura à liderança na quarta-feira em Aveiro.

Em declarações à Lusa, o líder da distrital de Aveiro, Salvador Malheiro, lamentou este prolongar do debate interno no PSD, considerando que vai manter o partido "em banho-maria" e beneficiar sobretudo o PS.

Outros conselheiros, contudo, rejeitam a ideia de que este calendário sirva apenas para beneficiar candidatos que ainda não estão no terreno, salientando que o presidente do partido, Pedro Passos Coelho, realçou na sua intervenção inicial que o calendário que acabou aprovado seria o "tempo normal" de o PSD ir a votos.

Apesar da discussão da liderança ter ficado de fora da reunião do Conselho Nacional, as candidaturas de Santana Lopes e do antigo líder da distrital de Lisboa do PSD Miguel Pinto Luz eram já dadas como certas por muitos conselheiros, que realçam que esta pode ser a primeira vez que o partido recorre a uma segunda volta em eleições diretas.

Ausentes da reunião estiveram Luís Montenegro e Paulo Rangel, que na semana passada se excluíram desta disputa interna, bem como o vice-presidente Marco António Costa.

Na terça-feira, o presidente do PSD anunciou que não se iria recandidatar ao cargo, dois dias depois de um dos "piores resultados de sempre" do partido em autárquicas e com o argumento de não querer passar a ideia de estar "agarrado ao poder".

Até agora, apenas Rui Rio anunciou oficialmente a sua intenção de se candidatar à liderança do PSD, numa apresentação marcada para quarta-feira às 18:30, em Aveiro.