O PS/Açores disse esta segunda-feira que o líder do PSD na região, Duarte Freitas, deve "um pedido de desculpas" aos açorianos depois de ter "anunciado como facto consumado" a entrada de companhias low cost na ilha Terceira.

"O líder do PSD/Açores defraudou conscientemente as legítimas expetativas dos terceirenses, anunciando como facto consumado a vinda das companhias 'low-cost' para a Terceira quando, afinal, tudo não passava de uma informação mal soprada por uns amigos políticos (...). Perante isto, devia ter surgido um pedido de desculpas do presidente do PSD/Açores", afirmou o dirigente socialista André Bradford, numa conferência de imprensa em Ponta Delgada.

Para o PS, depois de se saber que nem EasyJet nem Ryanair, as duas low cost que já voam para a ilha de São Miguel, vão iniciar operações para a Terceira, Duarte Freitas deveria ter pedido desculpas, mas "em vez disso, [os terceirenses] foram brindados com novo truque de feira popular, próprio de quem não é capaz de assumir os seus erros e as suas fraquezas".

"Afinal, Duarte Freitas nunca disse o que foi público e notório ter dito. Afinal era tudo uma questão de fé e esperança", acrescentou, ironizando, André Bradford.

O dirigente socialista considerou, ainda, que "todos" já perceberam "que noção de responsabilidade e compromisso político tem o líder do PSD/Açores", acusando-o de fazer um "tipo de política de anúncios ilusórios, feitos à custa dos anseios dos cidadãos, aproveitando as ondas de expetativa do momento".

André Bradford lembrou que ainda recentemente Duarte Freitas anunciou também um reforço de polícias para os Açores que, até agora, não se confirmou.

Na semana passada, Duarte Freitas disse esperar que as companhias aéreas de baixo custo comecem a operar para a ilha Terceira "a breve trecho", apesar de duas transportadoras terem dito que não o iam fazer.

"Anunciei que a breve trecho poderíamos ter 'low cost' na Terceira e tudo faremos para que tal se concretize, mesmo contra interesses políticos e comerciais que agora se denunciam aos olhos de todos", frisou, numa conferência de imprensa em Angra do Heroísmo.

O líder regional social-democrata havia anunciado a 10 de julho que as companhias aéreas de baixo custo começariam a voar para a ilha Terceira "a breve trecho", sendo depois a informação confirmada pelo Ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Marques Guedes.

No entanto, no final de agosto, a EasyJet disse que não pretendia voar para a ilha Terceira "a curto prazo", explicando que primeiro era preciso "ver como é que o mercado de Ponta Delgada evoluiu", para depois avaliar resultados.

Dias depois, o presidente executivo da Ryanair, Michael O'Leary, disse, por seu turno, numa conferência de imprensa, que o Governo da República recusou uma proposta da companhia para voar para a ilha Terceira.