O eurodeputado Paulo Rangel anunciou que não será candidato à liderança do PSD "por razões familiares", agradecendo os apoios recebidos e assegurando que se manterá neutro face a futuras candidaturas.

Numa nota enviada à Lusa, Rangel diz que, "perante o inesperado anúncio do atual presidente do PSD de que não se candidataria a um novo mandato", o seu nome começou a surgir como uma possibilidade, entre outras, para vir a disputar esse lugar, sem que tivesse existido "qualquer manifestação de disponibilidade nesse sentido", tendo iniciado um período de reflexão e contactos com vista a "uma decisão ponderada e fundamentada".

"Infelizmente, e independentemente das condições políticas subsistentes, por razões de ordem familiar, que tentei solucionar ao longo dos últimos dois dias, nas atuais circunstâncias, afigura-se inviável a apresentação dessa candidatura", refere.

Agradecendo todas as manifestações de apoio que recebeu, o antigo líder parlamentar do PSD acrescenta: "Na certeza de que o meu partido dispõe de quadros que, tendo até melhores condições políticas do que aquelas que eventualmente eu seria capaz de reunir, podem assegurar uma pluralidade de opções para o seu futuro, declaro que não sou candidato à liderança do PSD".

"Manterei naturalmente uma neutralidade relativamente a essas eventuais candidaturas", acrescenta.

No comunicado, Paulo Rangel diz estar "integralmente disponível" para servir o país e o PSD "colaborando estreitamente com o atual e com futuros presidentes e com os órgãos dirigentes que os acompanham".

Depois de o atual presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, ter anunciado na terça-feira que não se recandidataria à liderança do partido, Rangel é já o segundo nome a colocar-se de fora da corrida.

Luís Montenegro anunciou na quinta-feira à noite a sua indisponibilidade, dizendo que, neste momento, "por razões pessoais e políticas" não estão reunidas as condições para a sua candidatura.

Paulo Rangel nasceu a 18 de fevereiro de 1968 no Porto, é licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa e é professor universitário e jurisconsulto.

Apenas se filiou no PSD em 2005 e chegaria a líder parlamentar do partido em junho de 2008.

Em 2001, redigiu o programa de candidatura autárquica de Rui Rio ao Porto e, entre 2004 e 2005, foi secretário de Estado Adjunto do ministro da Justiça, Aguiar-Branco, no Governo PSD/CDS-PP de Santana Lopes.

Rangel foi eleito deputado pela primeira vez em 2005 mas suspendeu o mandato em dezembro de 2007. Regressou depois da vitória de Manuela Ferreira Leite nas eleições diretas e logo como líder parlamentar dos sociais-democratas.

Foi cabeça de lista do partido nas europeias de 2009, tendo obtido uma vitória contra as previsões das sondagens, e voltou a ser o número um para o parlamento europeu em 2013, já em coligação com o CDS-PP.

Já foi a votos em diretas no PSD: em 2010, contra Pedro Passos Coelho, saiu derrotado mas conseguiu quase 35% dos votos, enquanto o atual líder obteve mais de 60% (e Aguiar-Branco pouco mais de 3%).

Nascido em Gaia há 49 anos, católico, é um dos vice-presidentes do grupo parlamentar do PPE, sendo também vice-presidente do partido.

Depois de Passos Coelho se ter referido a Paulo Rangel, na afirmação externa, como "um dos pilares" na construção do futuro do PSD, a par de Hugo Soares, no plano interno, a sua candidatura era aguardada por muitos dirigentes no partido.

O Conselho Nacional do PSD reúne-se novamente na próxima segunda-feira para marcar a data das eleições diretas para a escolha do próximo presidente do partido, que poderão acontecer já em dezembro, e do Congresso.

Até agora, ainda não existe nenhuma candidatura formalizada, mas o antigo presidente da Câmara Municipal do Porto Rui Rio vem manifestando a sua intenção de avançar, o que deverá acontecer na próxima semana, de acordo com notícias saídas em vários jornais.

O antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes também admitiu estar a ponderar essa possibilidade e hoje escreve um artigo no qual admite estar a trabalhar num programa para o partido.

“Nesta fase, os programas são muito importantes, por mim, é disso que estou a cuidar estes dias”, escreve o ex-líder social-democrata num artigo muito crítico do “número considerável” de “lapas” que o PSD tem.

Santana Lopes chega mesmo a afirmar que as “três casas” por onde passou – câmaras da Figueira da Foz, de Lisboa e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa – pretendem o seu regresso ou continuidade.

“Sou mais de ação, sou mais de agir e, desculpem a presunção, mas nas três casas que dirigi com algum tempo até hoje, têm querido que eu regresse ou que continue”, sublinha, para logo a seguir advertir que “as lapas estão ou vão quando lhes convém” e reiterar só “têm valor os que acrescentam valor”.