O Bloco de Esquerda defendeu esta terça-feira que o combate aos incêndios "não pode continuar a ser um negócio privado", apontando a Força Aérea como "uma das soluções" e salientou a importância da prevenção.

No Porto, à margem de uma conversa com "docentes precários" do Instituto Politécnico do Porto, Catarina Martins, que se escusou a comentar a demissão do presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil por ainda não conhecer o teor da mesma, salientou que é um "negócio mau" para o país que o combate aos fogos seja feito com meios privados e não públicos.

O combate aos incêndios não pode ser um negócio privado e de facto os meios aéreos são um negócio privado e isso está errado. Não pode continuar a ser assim", defendeu.

Julgo que toda a gente em Portugal percebe que deixar que os meios aéreos de combate aos incêndios sejam um negócio é mau para o território e é mau, seguramente, para as contas públicas", explanou.

Catarina Martins reforçou que "os meios de combate [a incêndios] devem ser públicos" que "não podem continuar a ser um negócio privado", pelo que "a Força Aérea pode ser uma das soluções".

A líder do Bloco salientou ainda a importância de prevenção: "É preciso fazer já, no início desta sessão legislativa, tratar de prevenção e de outra forma de olhar para a gestão florestal", defendeu.

Por isso, referiu, "o compromisso do BE é de neste início de sessão legislativa levar a debate uma gestão coletiva da floresta, que permita que pequenos proprietários tenham capacidade de ter a floresta limpa, ter retorno da gestão florestal e acabar com as manchas contínuas de eucaliptos no país".

O presidente da ANPC, Francisco Grave Pereira apresentou na segunda-feira à ministra da Administração Interna o pedido de demissão, que foi aceite.

A demissão está relacionada com o inquérito que no verão do ano passado a então ministra da Administração Interna determinou à Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) que abrisse para averiguar os problemas com os Kamov.

A notícia foi inicialmente avançada pelo jornal Público, que adianta que a IGAI imputa a Francisco Grave Pereira "violação do dever de zelo na forma como a autoridade geriu o processo de transferência dos seis helicópteros pesados Kamov para a empresa que os está a operar, a Everjets".

A abertura do inquérito surgiu após a ANPC ter detetado problemas "graves no estado das aeronaves", que ditaram a impossibilidade de os helicópteros estarem em plena condição de serem operados, durante o processo de transferência dos Kamov para a empresa que ganhou o concurso público de operação e manutenção dos aparelhos para os próximos quatro anos.

O inquérito incidia sobre "as circunstâncias descritas e apuradas durante o processo de consignação dos meios aéreos próprios pesados do Estado, tendo em vista o apuramento de responsabilidades a que haja lugar nesse âmbito".

Dos seis helicópteros Kamov da frota do Estado, apenas três estão aptos para voar, estando dois inoperacionais por avaria e outro acidentado desde 2012.

O Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) deste ano conta com três Kamov estacionados em Braga, Santa Comba Dão e Ferreira do Zêzere, num total de 47 meios aéreos.

Em junho, em declarações na Comissão Parlamentar de Agricultura e Mar, o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, disse aos deputados que o DECIF de 2015 já não contou com os três helicópteros pesados.