A coordenadora nacional do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, considerou este domingo que o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, “é o passado” e ao "premiar" a ex-ministra das Finanças mostra que neste partido “o bom senso não mora há muito”.

“Pedro Passos Coelho é o passado, só olha para o passado e nós bem sabemos que quem só olha para trás não pode fazer nenhum caminho para a frente”, disse a líder bloquista discursando no encerramento da VI convenção regional do BE-Madeira.

Reagindo ao discurso do líder do PSD no 36.º congresso nacional dos sociais-democratas que decorreu em Espinho, a líder bloquista considerou que o anúncio de que a ex-ministra das Finanças, Maria Luis Albuquerque, “acaba de ser premiada com o mais cargo na direção do partido, não surpreende sobre Pedro Passos Coelho” e mostra que “no PSD o bom senso não mora há muito”.

“Aquilo que fica do discurso, hoje, de Pedro Passos Coelho é que entre a Constituição da República Portuguesa que agora faz 40 anos (…) e os especuladores financeiros, Pedro Passos Coelho diz que escolhe os especuladores”, sublinhou Catarina Martins.

A dirigente do BE acrescentou que Pedro Passos Coelho “vai mesmo mais longe, diz que se a Europa manda escolher os especuladores financeiros à Constituição, então Portugal terá de escolher os especuladores”.

“Defender o país, reestruturar a dívida em nome da nossa economia, criar emprego que é aquilo que o país mais precisa, nada disso interessa ao PSD”, argumentou.

Catarina Martins defendeu que, para o BE, o “caminho é bem diferente, é aprofundar a recuperação de rendimentos de quem vive do trabalho – salários e pensões –, é aprofundar a democracia e a capacidade de decidir com a soberania o que fazer com os recursos, reestruturar a dívida, poder investir, criar emprego”.

“No momento em que Portugal discute as reformas que o país há de fazer, em que se debatem as reformas que a Europa exige, o BE quer falar das mudanças que o país precisa”, sustentou, reportando-se ao programa de estabilidade que começa a ser negociado na próxima semana com o PS.

Segundo Catarina Martins, é preciso “continuar a aprofundar o caminho que foi feito, que é ainda tímido demais para o tanto que o país precisa”, defendendo a necessidade de “tirar a ‘troika’ das relações laborais, reconstruindo a contratação coletiva, combatendo a precariedade”.

“Precisamos seguramente de investimento e de emprego, porque não tenhamos ilusões, um programa de estabilidade que não preveja a criação líquida de emprego em Portugal não serve ao BE, porque não serve ao país”, vincou.

A líder bloquista realçou ser “precisa coragem de fazer as transformações na economia que a direita não quer, que a Europa não quer deixar, mas que um Governo que queira defender o país não pode deixar de fazer”.

Concluiu que para o BE “não chegam os bons resultados eleitorais” obtidos, enunciando as diferentes “lutas que podem transformar o país”.