O ex-autarca do Porto Rui Rio criticou, esta quarta-feira, a «humilhação» do sistema judicial e a «permanente violação do segredo de justiça» em casos como a recente detenção de Sócrates para a qual até foi chamada a comunicação social.

«Não posso aceitar esta permanente violação do segredo de justiça», atirou o social-democrata para quem é «inadmissível» que se tenha chamado «a comunicação social para assistir a uma detenção».

Sem se referir diretamente ao caso de José Sócrates, mas admitindo mais tarde aos jornalistas ser este discurso aplicável a essa e a todas as situações de violação do segredo de justiça, Rui Rio, que falava durante a apresentação da sua biografia, disse não ser «aceitável proceder desta forma» em que se fomenta «o espetáculo e o julgamento popular».

Para Rio, «a justiça não é um show» nem deve ser usada «para concorrer em audiências de TV», pelo que tal situação «choca de frente com a democracia».

«O que conseguimos (…) é a humilhação do próprio sistema judicial», frisou o ex-autarca que defende uma reforma da justiça assente em três pontos essenciais: mais transparência e menor opacidade do que se passa dentro do sistema, melhor gestão e maior produtividade e defesa do princípio de separação de poderes.

O livro Rui Rio - de corpo inteiro, da autoria de Mário Jorge Carvalho e prefaciado por Nuno Morais Sarmento, foi apresentado por Daniel Bessa para quem a entrevista da segunda parte da obra «chega como programa político» para uma candidatura à presidência da República.