O presidente do PS recusou esta sexta-feira a existência de qualquer deriva esquerdista na sequência dos acordos com o PCP e Bloco de Esquerda, e defendeu que a formação do Governo socialista impediu a radicalização da sociedade portuguesa.

Carlos César, também líder parlamentar socialista, falava à entrada para o 21.º Congresso Nacional do PS, depois de interrogado pelos jornalistas se o seu partido estava agora mais à esquerda do que no passado.

O PS não se radicalizou, o PS impediu a radicalização da sociedade portuguesa. Se tivéssemos acompanhado o movimento de flexão à direita que o PSD e o CDS-PP fizeram na sua conversão à direita neoliberal europeia, teríamos sido submersos num núcleo político, cujas alternativas seriam apenas os extremismos à direita e à esquerda", sustentou o presidente do PS.

Em síntese, de acordo com o presidente do PS, com a formação do atual Governo socialista, "a alternativa à direita neoliberal é moderada" e não radical.

Perante os jornalistas, Carlos César afirmou esperar que o 21.º Congresso Nacional do PS permita "uma reflexão séria e ponderada" sobre a atual conjuntura política, num momento em que o seu partido se assume como uma "alternativa à política da direita neoliberal, que tem uma representação partidária no país através do PSD e do CDS".

O PS reafirma a sua condição identitária de uma força política que convive com os partidos socialistas e sociais-democratas europeus e que tem também no plano europeu uma palavra a dizer", completou o ex-presidente do Governo Regional dos Açores.

Interrogado sobre a existência de vozes críticas à atual linha seguida pelo PS, Carlos César usou a ironia para responder: "Estavam a dizer-me [jornalistas] que o congresso não teria história, mas se há alguém que discorda, então ainda bem, porque assim terá história".

"Dos críticos, espero que critiquem. É essa a conclusão que se pode tirar de um fórum democrático como este", declarou.

Para Carlos César, o pior que poderia ocorrer neste congresso "era que os críticos não se manifestassem enquanto tal, ou que alguém fosse um grande entusiasta e se inibisse de o exprimir".

"Se 90% ou mais das pessoas estiverem muito entusiasmadas com este processo, com a direção e com a liderança do PS, também não vão estranhar certamente", observou.

Já sobre a novidade de o PS introduzir neste congresso talões com um número referente à ordem de inscrição de cada orador, Carlos César afirmou que a importância atribuída a essa questão lhe suscita "perplexidade e até curiosidade", sobretudo, pelo facto de ter de comentar que as inscrições vão ocorrer de acordo com a ordem dos inscritos.

Entendemos que é tempo de devolver autenticidade à manifestação política. Em regra, os congressos têm sido momentos de grande artificialidade, com grande privilégio ao mediatismo. Penso que é altura de estarmos aqui a cumprir o nosso papel com regras que advêm de um partido democrático", acrescentou.