A Câmara Municipal do Porto anunciou esta quinta-feira que vai decretar três dias de luto municipal, de sexta-feira a domingo, pela morte do cineasta Manoel de Oliveira.

O presidente da autarquia, Rui Moreira, demonstrou assim o «profundo pesar» da cidade e o «sentimento de perda coletiva».
 

«Decretei hoje três dias de luto municipal a partir de amanhã, decisão que será posteriormente ratificada pelo executivo a que presido. É a primeira vez que o faço, esta é a forma mais institucional de demonstrar o profundo pesar de uma cidade e de transmitir ao mundo o sentimento de perda coletiva que hoje nos assolou».


Para Rui Moreira, Manoel de Oliveira não foi «um homem vulgar», nem «na genialidade, nem na personalidade, nem na longevidade, nem no predicado» que disse mais gostar de associar à cidade do Porto: «o caráter».

«Só com um caráter invulgar é possível olhar o mundo e logo olhar o Porto com os olhos, as lentes e o sentido crítico com que Manoel de Oliveira olhou a vida e tudo o que rodeou», acrescentou o autarca, lembrando a «enorme dose de coragem» do cineasta em todos os «desafios que enfrenou» ao decidir «fazer cinema incómodo».

O presidente da câmara do Porto recordou a «última homenagem pública que lhe foi prestada» no Teatro Municipal Rivoli no dia do seu 106.º aniversário com a exibição do seu último filme e adiantou que o município pretende continuar a homenageá-lo com a reexibição de «muitos dos seus filmes em termos e data que o pelouro da Cultura da câmara oportunamente anunciará».
 

«Mas tudo o que fizermos para homenagear os seus filmes, a sua genialidade e, sobretudo, o seu exemplo de caráter portuense será pouco, será curto quando comparado com a admirável obra que nos deixou».


Rui Moreira quis ainda deixar uma «palavra especial de pesar» à família e amigos do cineasta «de quem muitos dizem (…) que nunca morre e que a sua vida se prolonga pela sua obra».
 

«Para uma cidade, perder uma personalidade como a de Oliveira, perder a sua genialidade e caráter é hoje motivo de luto. Mas perder um homem, um amigo e um familiar com a grandeza humana de Oliveira é duplamente doloroso».