A ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque afirmou hoje que o assunto relacionado com a sua empregadora Arrow Global “está encerrado” e que “de maneira nenhuma” a sua posição no partido saiu fragilizada.

Eu diria que o assunto está encerrado”, afirmou Maria Luís Albuquerque à entrada para o 36.ª Congresso do PSD que decorre em Espinho.

A antiga governante foi contratada pelo grupo britânico de gestão de créditos Arrow Global, gerando críticas de violação do estatuto dos deputados e do regime de incompatibilidades de titulares de altos cargos públicos devido às ligações do novo empregador ao agora privatizado Banif.

A deputada assinalou aos jornalistas que “este assunto foi colocado no debate público pela coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) dizendo que era tema para a comissão de inquérito”.

Jorge Tomé [ex-presidente executivo do Banif] esteve lá e o Bloco não lhe perguntou nada”

Questionada se a sua posição saiu fragilizada com as notícias sobre a sua nova situação profissional, Maria Luís Albuquerque respondeu: “de maneira nenhuma”.

A subcomissão de ética da Comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias reuniu-se na quinta-feira, à porta fechada e numa das salas mais reservadas do parlamento, para ouvir a antiga governante sobre a sua nova situação profissional e a própria, que não prestou declarações à comunicação social, informou os seus pares de mais empresas do conglomerado de gestão de créditos.

Também na quinta-feira, o PS entregou no parlamento um projeto que impede titulares de cargos políticos de exercerem funções em áreas que antes tutelaram e impossibilita deputados de prestarem serviços a empresas, sociedades de crédito, seguradoras e financeiras.

A Espinho chegou também o comissário europeu Carlos Moedas, ex-secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, que declarou aos jornalistas à chegada: "Como militante de base aqui estou para ouvir o líder do PSD, que é uma pessoa que eu admiro imenso".

O PSD é um grande partido. Ganhámos as eleições e estamos aqui. O líder do partido é um grande homem, que conseguiu realmente tirar o país de uma situação muito difícil"

Carlos Moedas defendeu que o PSD “é um partido que sabe estar na oposição” e considerou que “as críticas são bem-vindas e são para ser ouvidas pelos partidos, e é isso que um Congresso faz, é ouvir críticas, falar, discutir ideias para o futuro".

Todos os dias há “motivos de preocupação” com o Governo

Maria Luís Albuquerque disse ainda que, cumpridos quatro meses do executivo do PS no poder, há "a cada dia novos motivos de preocupação" com o caminho trilhado pelo Governo socialista.

A cada dia encontramos novos motivos de preocupação" com o Governo do PS.

Para Maria Luís Albuquerque, o PS aliou-se ao Bloco de Esquerda (BE) e Partido Comunista Português (PCP) com "uma única coisa em comum: a raiva que partilham contra o PSD, o ressentimento pelo sucesso" que, advogou, os sociais-democratas alcançaram na liderança do executivo anterior.

Uma base tão negativa e um tão flagrante desrespeito pela vontade dos portugueses não poderá nunca contribuir para o sucesso do país", sublinhou a social-democrata, que apresentou no Congresso do partido a proposta temática "Afirmar Setúbal".

Maria Luís Albuquerque acusou ainda o Governo de trazer para a agenda política "temas fraturantes" com o objetivo de "distrair atenções", ao mesmo tempo que é "destruída a confiança de investidores internacionais", com a reversão de compromissos assumidos pelo país.

"Fatalmente, voltarão a colocar-nos numa situação de perda de soberania", frisou ainda, declarando que o executivo PSD/CDS-PP, no qual tutelou a pasta das Finanças, "lutou sempre pela distribuição mais justa de sacrifícios" entre os portugueses.

"Muitas reformas foram postas em prática mas muito estava ainda por fazer", reconheceu a antiga ministra, que comentou também o Programa Nacional de Reformas, que o executivo socialista tem neste momento em discussão pública.

E foi perentória: "Lamentavelmente o que vamos vendo faz-nos temer o pior. Muita cerimonia pública, muito ‘powerpoint', muito ‘show off' [exibicionismo], mas tanta ausência de estratégia, visão, medidas concretas, e pior, tanto mais do mesmo".

Portugal, acredita, tinha uma "oportunidade única" de reforçar o seu papel na Europa, já que o país conseguiu ser um "ativo" com a conclusão do programa de assistência financeira sem recurso a outro mecanismo do mesmo género.

"A Europa precisa do nosso sucesso como um elemento que reforça a coesão. Precisa de demonstrar que os países do sul também são capazes de se reformar, superar constrangimentos", vincou, alertando que "os custos de se perder" uma oportunidade de reforçar o papel do país a nível europeu irá pesar "durante muito tempo".

E concretizou: "Da minha parte, aqui estou para continuar no PSD, no parlamento, a lutar pelas nossas convicções, a defender sempre e acima de tudo os portugueses"

No que refere a Setúbal, distrito pelo qual foi eleita, Maria Luís Albuquerque disse que as eleições autárquicas de 2017 devem ser encaradas como um momento para o PSD "conquistar" municípios.

Precisamos de conquistar autarquias no distrito, fazer refletir no poder local o que tantas vezes conseguimos nas legislativas: ganhar o distrito de Setúbal", apelou.

A nível local, Maria Luís disse que o PS comete "os mesmos erros que comete na gestão do país", atuando com "falta de estratégia e rigor financeiro".