O secretário-geral do PS, António Costa, considerou este domingo, no Algarve, que o «empobrecimento» em Portugal é uma realidade estatística e que «falhou» a receita do Governo de impor austeridade para promover o crescimento e pagar a dívida pública.

Ao discursar num almoço com militantes do partido em Tavira, António Costa afirmou que é necessária uma nova política e que o PS deve assumir a sua história, no dia em que assinala 40 anos da sua legalização [a 01 de fevereiro de 1975], e «mobilizar-se pelo combate e por uma alternativa» à austeridade imposta pelo Governo PSD-CDS/PP.

«O atual Governo quis convencer o país de que tinha uma estratégia, uma estratégia que, com uma grande diminuição de direitos, com uma grande política de austeridade, com o empobrecimento coletivo, iríamos conseguir relançar a economia e conseguir pagar a dívida pública. O que sabemos hoje é que há um aspeto que conseguiram alcançar, indiscutível que conseguiram empobrecer o país», disse António Costa.

O líder do PS apontou dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) para justificar esta posição e deu como exemplo do empobrecimento os «recursos humanos que se viram obrigados a emigrar», os «300 mil postos de trabalho que muito contribuíram para aumentar o desemprego» e com os quais o Governo acabou.

«Mas empobreceram mesmo o país porque, ano após ano, a taxa de risco de pobreza tem vindo a aumentar em Portugal», acrescentou, frisando que há dois dias o INE cifrou «em 20% a população portuguesa em risco de pobreza» e «em 450.000 os portugueses que estão hoje em risco de pobreza».

A pobreza aumentou ainda, segundo o secretário-geral do PS, «entre empregados e pensionistas, mas também na população ativa», porque hoje, disse, «mais de 10% das pessoas empregadas estão abaixo do limiar de pobreza e isso demonstra bem o que significou de diminuição de direitos, de quebra de rendimentos e de falta de dignidade no Mundo do trabalho» a política imposta pelo Governo.

António Costa considerou que este empobrecimento é também visível junto das crianças e dos jovens, dos quais «25% estão em risco», e assim o Governo tem «criado um problema para hoje, mas também um enorme risco para o futuro».

António Costa voltou a apontar dados do INE para dizer que, «em 2014, o investimento privado e das empresas diminuiu» e «em 2015 vai diminuir ainda mais».

Costa acrescentou que «50%» dos empresários diz que não investe em Portugal «porque não têm perspetivas positivas para a economia» e porque, segundo o secretário-geral, a estratégia do Governo «não deu confiança aos empresários, pelo contrário minou-a», além de feito aumentar a dívida para valores mais altos dos que se registavam no início da crise.

«A verdade é que não controlaram a dívida, a dívida continua a aumentar e nós estamos depois destes três anos com uma enorme carga fiscal, com a economia paralisada, com um aumento do empobrecimento e com a dívida a aumentar», afirmou.