A Polícia Judiciária realizou esta quarta-feira cerca de 70 buscas, incluindo a autarquias, sociedades e instalações partidárias, no continente e no arquipélago dos Açores, segundo a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL), adiantando estarem em causa crimes económicos, como corrupção. No âmbito deste inquérito investigam-se crimes de corrupção passiva, tráfico de influência, participação económica em negócio e financiamento proibido.

A Câmara de Santa Maria da Feira confirmou que a Polícia Judiciária realizou buscas nas instalações da autarquia, ficando na posse de documentação relativa à empresa que faz a manutenção dos jardins do centro de congressos Europarque.

A Polícia Judiciária veio cá no âmbito de um processo do Ministério Público de Lisboa relativo à empresa que venceu o nosso concurso público para a manutenção dos espaços verdes do Europarque e demos-lhe toda a informação que nos pediu", revelou à Lusa o presidente da Câmara da Feira, Emídio Sousa.

Em causa está a firma AmbiGold e a alegada acusação de corrupção contra Carlos Eduardo Reis, que, segundo o autarca da Feira, será de Braga e "é um dos sócios da referida empresa".

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A Câmara da Marinha Grande, no distrito de Leiria, confirmou também ter sido alvo de buscas que visaram a adjudicação por concurso público da empreitada de requalificação de um espaço de jogo e recreio num estabelecimento de ensino.

Numa resposta escrita enviada à agência Lusa, a autarquia, presidida por Cidália Ferreira, eleita pelo PS, esclarece que as buscas decorreram “esta manhã, entre as 09:00 e as 12:30”.

Segundo a mesma informação, as buscas estão relacionadas com “um contrato decorrente da adjudicação por concurso público de empreitada para requalificação de um espaço de jogo e recreio num estabelecimento de ensino” cujo nome não foi revelado.

A câmara informa ainda que “o concurso público decorreu neste primeiro semestre de 2018”, adiantando que o Gabinete da Presidente “prestou toda a colaboração” aos inspetores da Polícia Judiciária (PJ) “na execução do seu mandato, tendo entregue e dado acesso a toda a informação solicitada”.

O município “permanecerá disponível para colaborar com as autoridades no que mais venha a ser necessário”.

 Também as câmaras de Cascais, Esposende, Gaia e Famalicão confirmaram hoje buscas da Polícia Judiciária (PJ) nos serviços, por suspeitas de crimes económicos, mas salientam que as investigações envolvem entidades exteriores aos municípios e que estão a colaborar com as autoridades.

A Câmara de Cascais confirma as diligências judiciais que, não tendo direta ligação a atividade municipal e envolvendo apenas terceiros, tiveram da parte da autarquia a melhor cooperação”, afirmou, em comunicado enviado à Lusa, a autarquia presidida por Carlos Carreiras (PSD).

Na mesma nota sublinha-se que “nenhuma das entidades alvo da investigação tem qualquer tipo de contacto e/ou relação com a Câmara Municipal de Cascais” e, como tal, “nunca existiu qualquer contratação de serviços” ou de produtos.

A Câmara de Esposende emitiu um comunicado indicando que “o município, num espírito de total colaboração, prestou todos os esclarecimentos que lhe foram solicitados”, acrescentando que a autarquia “não tem, nem nunca teve, qualquer relação com as empresas visadas no âmbito da investigação”.

Nesse sentido, a autarquia presidida pelo social-democrata Benjamim Pereira notou que “o município não pode deixar de lamentar e até de estranhar que tenha sido associado à referida investigação”.

Confirmo e só posso dizer que o assunto não diz respeito aos meus mandatos. O resto é reservado, estando a câmara a colaborar com o que pode”, afirmou à Lusa o presidente da autarquia de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues (PS).

Numa nota de esclarecimento, a Câmara de Vila Nova de Famalicão confirmou que, durante a manhã de hoje, “foi alvo de buscas por parte da Polícia Judiciária”.

Os factos em causa estão em segredo de justiça, são externos à câmara municipal e reportam-se a uma empresa cuja relação com o município resulta de um concurso público internacional”, refere-se no mesmo comunicado.

A autarquia presidida por Paulo Cunha (PSD/CDS-PP) frisou que “não é a autarquia que está a ser objeto de investigação, mas entidades externas que tinham ou têm uma relação comercial com o município”.

Algumas das buscas ocorreram na concelhia de Lisboa do PS, na distrital de Lisboa do PSD e em três juntas de freguesia da capital, confirmaram fontes partidárias.

Também os municípios de Lisboa e Ponta Delgada e as juntas de freguesia do Parque das Nações e do Areeiro (Lisboa) confirmaram, até ao final da tarde, terem sido alvo de buscas, mas a maioria referiu que as operações estão relacionadas com entidades externas.