Confirmaram-se as perspetivas de desaceleração da economia no primeiro trimestre de 2017, com a descida da procura externa líquida a dar o empurrão no caminho da desilusão, face às estimativas apontadas por vários economistas. 

O Produto Interno Bruto (PIB), em termos homólogos, aumentou 2,1% em volume no primeiro trimestre de 2018, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística. 

A procura externa líquida registou um contributo mais negativo, em resultado da desaceleração mais acentuada das Exportações de Bens e Serviços que a registada nas Importações de Bens e Serviços", diz o INE.

Já o "contributo positivo da procura interna estabilizou no primeiro trimestre, verificando-se uma ligeira desaceleração do Consumo privado", enquanto o "Investimento apresentou um crescimento ligeiramente mais acentuado", determinado pelo comportamento da Variação de Existências, refletindo o efeito base do contributo negativo verificado no primeiro trimestre de 2017.

Comparativamente com o quatro trimestre de 2017, o PIB aumentou 0,4% em termos reais. Mais uma vez,  contributo da procura externa líquida para a variação em cadeia do PIB "foi negativo, após ter sido positivo no trimestre anterior, observando-se um aumento das Importações de Bens e Serviços superior ao das Exportações de Bens e Serviços". O contributo positivo da procura interna aumentou no primeiro trimestre, em resultado da aceleração da Formação Bruta de Capital Fixo e do consumo privado.

Os números agora apresentados revelam um abrandamento no primeiro trimestre deste ano, depois de nos últimos três meses de 2017 ter crescido 0,7% em cadeia e 2,4% em termos homólogos.

ESTIMATIVA RÁPIDA

  1ºT 16 2ºT 16 3ºT 16 4ºT 16 1ºT 17 2ºT 17 3ºT 17 4ºT 17 1ºT 18
Taxa de variação homóloga 1,1 0,9 2 2,4 2,9 3 2,4 2,4 2,1
Taxa de variação em cadeia 0,2 0,2 1,2 0,7 0,7 0,3 0,6 0,7 0,4

 

  2015 2016 2017
Taxa de variação Anual (%) 1,8 1,6 2,7

Já hoje a agência de rating Moody's tinha dito que previa que Portugal só cresça apenas 2,1% em 2018. Previsão ainda mais baixa que as mais recentes da Comissão Europeia e do Banco de Portugal apresentam a mesma estimativa (2,3%) - em linha com a do Governo -, e a do FMI, ligeiramente mais otimista, que prevê um crescimento de 2,4% para este ano.

Em comunicado, o Ministério da Finanças refere que "este ritmo de crescimento está em linha com a evolução da economia europeia, onde o crescimento foi afetado por vários fatores temporários."

Acrescentando que "o crescimento do PIB continua a ser impulsionado por um forte crescimento do emprego, refletido num aumento expressivo da receita da Segurança Social, e na redução do desemprego. O crescimento do primeiro trimestre teve um importante contributo do investimento, mantendo-se assim o padrão de crescimento dos trimestres anteriores."

Quanto ao fator que puxa para baixo a economia, diz o ministério de Mário Centeno que "o comportamento das exportações no primeiro trimestre de 2018 esteve sujeito a um efeito de calendário significativo (menos dois dias úteis que no trimestre homólogo). Os dados preliminares do comércio extra-União Europeia para o mês de abril indiciam uma forte correção deste efeito."

Crescimento da zona euro e União Europeia também abranda 

O crescimento da economia da zona euro abrandou, em termos homólogos, no primeiro trimestre, para os 2,5%, e a da União Europeia (UE) para os 2,4%, segundo uma estimativa rápida hoje divulgada pelo Eurostat.

Face ao trimestre anterior, o PIB cresceu 0,4% quer na zona euro quer na UE, registando também um abrandamento.

De acordo com o gabinete de estatísticas da UE, no quarto trimestre de 2017, o PIB da zona euro avançara 0,7% e o da UE 0,6% na variação em cadeia e 2,8% e 2,7%, respetivamente, na comparação homóloga.

A Letónia (5,2%), a Polónia (4,9%) e a República Checa (4,5%) foram os países cujos PIB mais subiram em termos homólogos, tendo a Dinamarca registado o único recuo (-0,8%).

Face ao trimestre anterior, a Letónia (1,7%), a Polónia (1,6%), a Hungria (1,2%) e a Finlândia (1,1%) foram as economias que mais cresceram, tendo as menores taxas sido assinaladas na Roménia (0,0%), no Reino Unido (0,1%) e na Dinamarca, Alemanha, França e Itália (0,3%).

Em Portugal a economia cresceu, entre janeiro e março, 2,1% em termos homólogos e 0,4% na variação em cadeia.