A Universidade Católica reviu em alta as estimativas para a economia portuguesa em 2015, antecipando um crescimento de 2,2% este ano, mas alertou para uma «política orçamental muito passiva» que pode ter «consequências negativas no défice».

Na folha trimestral de conjuntura, hoje divulgada, o Núcleo de Estudos sobre a Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP), da Universidade Católica, melhorou a previsão de crescimento económico para este ano dos 1,9% para os 2,2% e, considerando apenas o primeiro trimestre de 2015, previu que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha crescido 0,9% em cadeia e 2,1% em termos homólogos.

No entanto, o NECEP alerta que este crescimento pode «estar a ser suportado por uma política orçamental muito passiva, com consequências negativas no défice que obriguem a ajustamentos orçamentais novamente agressivos durante a maior parte do próximo ciclo político».

O NECEP refere que Portugal «está agora numa fase clara de recuperação e já estará a beneficiar da descida acentuada do preço do petróleo, da desvalorização do euro e da passividade orçamental de 2015».

Para os economistas, o desempenho da economia em 2015 «deverá ser influenciado positivamente pelo ambiente externo e interno, que se conjugam agora de forma muito favorável ao crescimento do produto».


De acordo com a nota hoje divulgada, a melhoria das previsões do NECEP deve-se sobretudo ao «forte crescimento esperado para o primeiro trimestre», mas também à «inexistência de consequências óbvias da crise do BES no andamento da economia portuguesa».

Por outro lado, acrescentam, a melhoria nas condições de financiamento «não parece ter sido ainda suficiente para iniciar uma recuperação sólida do investimento», embora este já esteja a crescer desde o segundo trimestre de 2014.

Além disso, os economistas da Católica apontam «dois sinais adversos» a estas projeções: «a inexistência de sinais inequívocos de uma forte recuperação do investimento» e «a existência de sinais contraditórios no mercado de trabalho que sugerem que o desemprego pode ter subido ligeiramente no primeiro trimestre do ano».

Para 2016, o NECEP também melhorou as estimativas de crescimento económico, antecipando um crescimento de 1,9% no próximo ano (contra os 1,8% anteriormente previstos), justificando que «os efeitos favoráveis de 2015 se deverão prolongar no próximo ano».

Nas últimas previsões apresentadas pelo Governo para este ano, conhecidas em outubro de 2014 aquando da apresentação da proposta de Orçamento do Estado para 2015, o executivo apontava para um crescimento de 1,5% em 2015.

Quanto às previsões para 2016, o Governo antecipou no Documento de Estratégia Orçamental (DEO), apresentado em abril do ano passado, que a economia portuguesa deveria crescer 1,7% no próximo ano.