Na proposta de Orçamento do Estado do Estado para 2017, o Governo inscreveu uma taxa de desemprego de 10,3%, com a economia a crescer 1,5% e o défice nos 1,6%. A dívida é de 128,3% em rácio do Produto.

São dados que constam do cenário macroeconómico do Orçamento que já foi entregue no Parlamento e está a ser apresentado pelo ministro das Finanças, Mário Centeno.

O Executivo prevê assim que a taxa de desemprego baixe de 11,2% este ano para 10,3% em 2017. Já a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) será de 1,5%, mais do que no corrente ano, em que a taxa deverá ficar em 1,2%.

Em julho o Governo já tinha admitido, formalmente, numa carta enviada à Comissão Europeia, que o PIB em 2016 não avançaria mais que 1,4% - contra o valor de 1,8% que estava inscrito do Orçamento de 2016. E já este mês o primeiro-ministro, António Costa, assumiu que o crescimento económico seria pouco acima de 1%, em entrevista ao Público.

"A origem para esta revisão são simples... desaceleração muito acentuada do crescimento na segunda metade de 2015. Mas há uma revisão da procura externa dirigida à economia portuguesa", diz, recordando que as previsões de crescimento, para a procura externa era de 4,2 % no início do ano e agora está nos 2,4%. No que respeita à procura externa, as exportações deverão subir 4,2%, com as importações a aumentar 3,6% no ano que vem. 

Do lado da procura interna, as Finanças esperam que o investimento suba 3,1% e que o consumo das famílias aumente 1,5%. Já o consumo público deverá recuar 1,2%. 

No caso do investimento, exportações e consumo privado, o Governo revê em baixa as suas previsões face ao Programa de Estabilidade apresentado em abril.  No entanto, tirando o consumo das famílias e o consumo público, há uma aceleração das componentes do PIB entre 2016 e 2017.

O saldo da balança corrente e de capital mantém um excedente  - de 1,7% do PIB em 2016 e 2,2% em 2017.    

No que toca ao défice, as previsões do Governo apostam para que fique nos 1,6%. Mas com o Governo a assumir que, em 2016, o défice público se irá situar nos 2,4% - próximo do limite último estipulado por Bruxelas - e não nos 2,2% que constavam do Orçamento do Estado.