O ex-ministro socialista Pedro Silva Pereira defendeu este sábado que nas próximas eleições europeias vão a votos as políticas de austeridade e usou a ironia para dizer que Paulo Rangel (PSD) precisa de uma sessão de esclarecimento.

Falando perante algumas centenas de apoiantes, num jardim de Vila Real, Pedro Silva Pereira fez um discurso de ataque cerrado ao Governo, à coligação PSD/CDS, mas também ao bloco europeu de «direita» da chanceler germânica, Angela Merkel, e do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

«No próximo dia 25 de maio, antes de mais, o que vai a votos são as políticas de austeridade», sustentou o sétimo da lista europeia do PS, numa intervenção longa em que chegou ao ponto de gritar «basta, basta» quando caraterizou a ação do atual executivo PSD/CDS.

Pedro Silva Pereira advertiu que nos planos externo e interno «está a ser vendida a ideia de que as políticas de austeridade são um sucesso», contrapondo que «é preciso responder com a verdade das nossas vidas».

Depois, criticou diretamente o cabeça de lista da coligação PSD/CDS, dizendo, em tom irónico, que o social-democrata Paulo Rangel «necessita de uma sessão de esclarecimento».

«Parece que ele [Paulo Rangel] ainda não percebeu que eleições são estas e julga que se pode apresentar como o candidato da oposição a um Governo do PS que já não existe, mas com isso pretende apenas esconder a verdade - e a verdade é que ele é o candidato do Governo que temos», declarou, recebendo prolongadas palmas.

O ex-ministro da Presidência referiu também que Pualo Rangel, assim como Nuno Melo (CDS), apresentaram este sábado como «mais-valia» da sua lista o facto de não ter membros do Governo.

«Percebo a dificuldade, porque ser candidato pelos partidos deste Governo têm muito que se lhe diga. Percebo que queiram afastar essa responsabilidade, mas eles têm de responder pelas políticas do Governo que estão a servir», salientou o deputado do PS.

Entre outros pontos da atividade governativa, Pedro Silva Pereira aludiu ao facto de PSD e CDS, ainda em 2011, quando se encontravam na oposição, serem contra o aumento de impostos.

«Chegados ao poder não fizeram outra coisa se não aumentar todos e cada um dos impostos - e a coisa promete não ficar por aqui. Ao ponto a que as coisas chegaram, já estamos perante um problema de decência. Esta gente precisa de uma resposta clara no próximo dia 25», insistiu.

No primeiro discurso da noite, o presidente da Câmara de Vila Real, Rui Santos, na mesma linha de Pedro Silva Pereira, disse acreditar que outro caminho é possível em Portugal e na Europa.

«Ficar em casa no dia 25 é concordar com a austeridade assassina deste Governo», declarou, num discurso virado para o combate à abstenção, mas também para a crítica ao «neoliberalismo europeu» e ao Governo.

Rui Santos referiu que o atual primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, foi eleito deputado pelo círculo de Vila Real nas últimas eleições legislativas.

«Podemos agradecer-lhe a suspensão do túnel do Marão, o encerramento de serviços públicos em Trás-os-Montes, o aumento de impostos e o corte de salários», acusou o autarca, também líder da Federação do PS de Vila Real.