O antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes e o vice-primeiro-ministro Paulo Portas defendem no livro “Insondáveis Sondagens” que estes estudos de mercado influenciam o discurso político e as eleições, podendo tornar-se “armas de destruição política”.

“As sondagens tornam-se quase armas de destruição política, principalmente quando conjugadas com títulos de imprensa que esquecem aquilo que consta, a letra pequena, da ficha técnica, acerca da margem de erro”, afirmou Santana Lopes no prefácio da obra “Insondáveis Sondagens”, de Diogo Agostinho e Alexandre Guerra.

Já o também líder do CDS, Paulo Portas, escreveu no posfácio do livro que “uma sondagem pode influenciar o discurso político e as eleições”, tendo acrescentado que “se as sondagens podem condicionar ou influenciar a democracia, também a sua apresentação, ou a formatação da respetiva interpretação são um problema grave”.

O livro “Insondáveis Sondagens” é da coautoria do chefe de gabinete do provedor e da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Diogo Agostinho, e do assessor de imprensa da mesma instituição Alexandre Guerra, que trabalham diretamente com Pedro Santana Lopes. A obra será apresentada na próxima segunda-feira.

Santana Lopes classifica “a questão das sondagens” como “uma perversão do funcionamento do sistema político, porque é permitido que empresas privadas influenciem de um modo determinante, sem o devido escrutínio, aquele que é o sentido de voto dos cidadãos”, considerando ainda que não têm “nada de científico e que carecem dos maiores aperfeiçoamentos”.

Uma ideia pelo vice-primeiro-ministro Paulo Portas, que propõe alguns melhoramentos para este setor: “Os inquéritos teriam de ser mais longos, para tentar despistar o erro; o voto oculto teria de ser estudado e mudadas as freguesias-tipo por quem utiliza este método; a supervisão dentro da empresa teria de ser mais robusta para a validação das amostras; é necessário maior cuidado com a base de amostra, para não ser exclusivamente quem está em casa – e, em 2015, ainda com telefone fixo – a representar o universo; e teria de existir uma real regulação do mercado”.

Ressalvando que “o mercado das sondagens é pequeno e os recursos à disposição das empresas de sondagens são escassos”, Paulo Portas sublinha que as sondagens são “realizadas apenas por telefone fixo, tendencialmente durante o dia – em que se encontram em casa sobretudo os inativos, jovens e idosos, que deixam de fora uma parte significativa do universo eleitoral”.

O líder do CDS referiu ainda que tende “sempre a desvalorizar as projeções”, ressalvando que “quem vive para as sondagens arrisca-se, na política, a falar para as sondagens e assim retirar autenticidade à política”.

“Escrevo e digo há muitos anos que deixar as coisas continuarem a funcionar assim é ilegítimo e em nada contribui para diminuir o poder daqueles que, por uma razão ou por outra, conseguem assumir o controlo desses processos de condicionamento da opinião pública”, escreveu Pedro Santana Lopes.

“Posso dizer com rigor que nunca nenhuma sondagem me favoreceu e que, pelo contrário, sempre tive de lutar contra as sondagens”, continuou.

Paulo Portas e Santana Lopes são dois dos nomes de uma lista de potenciais candidatos a suceder a Cavaco Silva em Belém. 

Os autores da obra “Insondáveis Sondagens”, publicado pela “Alêtheia Editores” procederam à análise e comparação de estudos de caso e concluíram que a indústria dos estudos de mercado é “amplamente poderosa no âmbito do combate realizado na arena política”.