O vice-primeiro-ministro recusou hoje que a fuga de informação sobre a condição de recurso nas pensões de sobrevivência tenha feito tremer a coligação governamental, acrescentando que foi um ato «irresponsável» mas não lhe atribuindo «intenção política».

«Não estou aqui para culpar ninguém. Essa fuga aconteceu, foi irresponsável, não lhe atribuo intenção política», afirmou Paulo Portas em conferência de imprensa, negando que o episódio tenha feito «tremer a coligação», conforme lhe foi questionado por uma jornalista.

O vice-primeiro-ministro falava numa conferência de imprensa, com a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, e o ministro da Segurança Social, Pedro Mota Soares, convocada para explicar a medida de apresentação de condição de recurso nas pensões de sobrevivência.

«Quando estivemos aqui há uma semana, nesta mesma mesa, no final das negociações com a troika, os trabalhos técnicos para a definição da medida não estavam terminados, só estava definido o impacto financeiro e esse nós sabíamos que era muito limitado e muito moderado por opção nossa», justificou.

Nessa altura, não saberia responder sobre os «níveis de rendimentos» sobre os quais incidiria e que escalões geraria, afirmou.

«Então, as pessoas sofreriam, obviamente, desinformação», disse.

Questionado sobre o motivo pelo qual sentiu necessidade de dar uma explicação sobre a medida, quando o Conselho de Ministros extraordinário para fechar o Orçamento do Estado ainda decorre, Portas respondeu que foi «por respeito pelas pessoas que estão em situação de viuvez e que sofreram uma desinformação maciça que as alarmou, que as assustou e as angustiou».

«Se o Governo disse no próprio dia que uma despesa de 2 mil e 700 milhões de euros teria uma poupança de apenas 100 milhões de euros, através de uma condição de recurso, não podia ser verdade o alarmismo que estava a ser causado», referiu.

Quando foi questionado sobre se ficou «furioso» com a fuga de informação, conforme noticiou o semanário Expresso, Portas não negou, disse apenas que essa «é uma matéria do passado».

«O que é relevante é que 96,5% dos pensionistas de sobrevivência em Portugal não são afetados por esta medida, e quem disse o contrário obviamente mentiu. Essas mentiras doem porque estamos a falar de situações que são emocionalmente muito delicadas e socialmente muito difíceis», disse.