É uma autêntica revelação de dados em massa sobre empresas offshore. Quem são os verdadeiros donos, quem as controla ou quem são os beneficiários. Uma parte dos 11 milhões e meio de documentos do escritório panamiano de advogados Mossack Fonseca vão estar disponíveis no site Offshore Leaks para consulta pública, mesmo com a oposição desta sociedade.

Alegando ser “um roubo e uma violação do tratado de confidencialidade entre cliente e advogado”, a Mossack Fonseca fez um derradeiro apelo para que os dados não sejam divulgados. Mas o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação vai avançar com a publicação na internet de parte da base de dados, protegendo informação confidencial como passaportes, contas bancárias e até códigos de segurança de cartões Visa.

Mas a pesquisa não é fácil. Nem todos os nomes aparecem nas plataformas de pesquisa. Há documentos que nem nomes referem. Existem apenas iniciais ou uma assinatura, por vezes, indecifrável. Há ainda a possibilidade de os nomes que aparecem nos documentos não serem dos verdadeiros proprietários de offshore, estando a identidade(s) do(s) dono(s) protegida e ausente na documentação.

É preciso cruzar informação, trabalho do Consórcio Internacional de Jornalistas, do qual jornalistas da TVI e do Expresso fazem parte. Esta base de dados online sobre mais de duzentas mil entidades em paraísos fiscais está disponível a partir desta segunda-feira.

Os Papéis do Panamá são uma investigação jornalística mundial que revela o segredo de sociedades offshore, com bancos a facilitarem, incluindo, crimes de evasão fiscal. Estão envolvidos empresários, políticos, advogados, atletas e até celebridades. É a maior revelação de dados alguma vez feita na história do jornalismo de investigação.