Manuela Ferreira Leite considerou, esta quinta-feira, na TVI24, que Wolfgang Schäuble devia "ter ficado calado" quando disse que Portugal se deve certificar da necessidade de um novo resgate, até porque "não está preocupado, lisonjeado ou satisfeito com o facto de estarmos a tentar seguir as orientações".

Acho que ele devia ter ficado calado. Não tem que falar sobre uma coisa destas. Acha que é normal ter um ministro das finanças de outro país - país esse que é a Alemanha e que tem uma dimensão e poder importante - dizer-vos 'preparem-se para um novo resgate'? 'Porque é que não te calas?' era o que o rei Juan Carlos lhe teria dito. 'Porque é que ele não se cala?'", atacou Manuela Ferreira Leite.

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, disse que Portugal se deve certificar de que "não precisa" de um resgate e lembrou que a pressão imposta pelos planos de resgate "funcionou bem".

A comentadora afirmou que este tipo de comentários é "efetivamente desajustado", principalmente porque "não é um elemento de confiança, nem um elemento de incentivo".

Até porque, para Manuela Ferreira Leite, "melhor ou pior" Portugal cumpriu os "objetivos que a Europa marcou e, portanto, Schäuble só pode estar a falar de detalhes ou de pormenores".

Rutte "vai precisar de uma super geringonça" para formar Governo

Manuela Ferreira Leite falou ainda sobre as eleições na Holanda e considerou que a vitória do primeiro-ministro holandês não foi tão inesperada "quanto isso" e que a sua vitória "demonstra que os maiores partidos com maior convocação do poder estão com toda a tendência para se esboroar".

A comentadora fez uma comparação com o Governo português e alertou que Rutte vai precisar de uma "super geringonça" para conseguir formar Governo.

Mark Rutte vai precisar de fazer uma coligação com quatro ou cinco partidos, uma super geringonça, que poderá levar seis a sete meses à formação do Governo, o que é realmente uma instabilidade tremenda que está introduzida. Mas acho que é uma tendência que deve continuar na Europa e que é capaz de não ter grande recuo. É uma consequência da crise financeira e daquilo que ela implicou".

Quando a Geert Wilker, Manuela Ferreira Leite considera que, a nível político, "ele não é nada", uma vez que se trata "mais de um produto mediático do que político".

É um sujeito que não tem partido propriamente, não tem ninguém, anda sozinha, tinha os seguranças, vivia isolado. Ele não é nada. Ele é só ele. É um produto de marketing em que acho que a comunicação social está a cair".

As eleições holandesas foram vencidas pelo Partido Popular para a Liberdade e a Democracia (VVD, direita), do primeiro-ministro, Mark Rutte, com 33 deputados, seguido da extrema-direita populista do Partido da Liberdade (PVV) de Geert Wilders, com 20.

Em terceiro lugar surgem os democratas-cristão do CDA e os liberais pró-europeus do D66, cada um com 19 deputados.