Esta é uma reportagem de investigação séria, rigorosa e bem documentada que fiz durante os últimos dois meses.

O objectivo era entender porque é que deitamos para o lixo aquilo que depois gastamos milhões a comprar ao estrangeiro. Nada disto faz sentido mas, depois de fazer uma caminhada histórica pela documentação a que tive acesso, percebi que Portugal nunca foi “dono” do seu próprio plasma.

O facto é que esta reportagem começou a incomodar, antes mesmo de ser emitida.

Uns, cobardes, avançaram para uma campanha difamatória nas redes sociais.

Outros, corajosos, anunciaram um “Programa Estratégico Nacional de Fraccionamento de Plasma Humano para 2015-2019”, em final de mandato.

Em mais de  25 anos de profissão, nunca me tinha acontecido conseguir “resolver” um problema nacional nove horas depois da emissão da promoção a anunciar a minha grande reportagem.

Mas este não é um problema deste governo.

Este, é um problema nacional que ATRAVESSA vários governos,do PSD e do PS de Sócrates.

No meio de toda esta embrulhada, o que honestamente mais me preocupou durante toda a investigação foi como prevenir o efeito imediato desta reportagem nos 500 mil dadores portugueses. 

Os dadores portugueses, que são altruístas, solidários, anónimos, voluntários e benévolos vão sentir-se completamente defraudados com aquilo que a reportagem denuncia. Provavelmente, a sua reação imediata, será recusar-se a voltar a dar sangue. Como portuguesa, mesmo não sendo dadora (por questões de saúde), compreendo a vossa revolta mas, a verdade é que se deixarem de dar sangue,  penalizam quem menos culpa tem. O doente precisa dos dadores e os dadores só existem por causa do doente.Não deixem que esta denúncia estrague esta relação de amor incondicional.

Continuem a dar sangue. Obrigada.