O comentador da TVI, e presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, considera que a moção de rejeição que os partidos PSD e CDS vão apresentar contra o Governo de António Costa não passa de uma tentativa de criar dificuldades à elaboração do próximo Orçamento do Estado, testando a estabilidade do acordo entre o PS, PCP, BE e PEV.

Na rubrica semanal “Cara, Conta, Caso” da 21ª Hora da TVI24, o socialista disse que esta estratégia “da direita” tem como único fim a convocação de eleições antecipadas no próximo ano.

 “[PSD e CDS] têm a expetativa que António Costa tenha dificuldades na elaboração do Orçamento [do Estado], com o andamento da economia, e que tenha dificuldades, por isso, com os parceiros à esquerda. [PSD e CDS esperam] que isso se reflita na imagem do Governo na opinião pública, e que isso crie um espaço político para que um novo Presidente da República convoque eleições antecipadas a partir de abril do próximo ano.”


“A consequência imediata vai ser o contrário do que os partidos da direita pretendem e vai fazer a demonstração da unidade à esquerda. [A moção de rejeição] vai servir como uma moção de confiança ao Governo”.

O presidente da Câmara de Lisboa salientou que esta estratégia pode trazer mais prejuízos do que benefícios para os partidos liderados por Passos Coelho e Paulo Portas, porque passar meses a dizer “eu não dialogo, não aprovo, não proponho porque o governo é ilegítimo”, vai levantar questões sobre a utilidade destes partidos no parlamento.

Medina disse que acima de tudo “os portugueses querem ser governados, e bem governados", mais do que “alimentar disputas de natureza político-partidária, que já tiveram o seu tempo e já foram resolvidas”.

“António Costa vai, num primeiro momento, beneficiar de imediato desta estratégia, desde já na apresentação do programa do Governo, que na prática vai ter uma moção de confiança. António Costa vai ter a sua primeira moção de confiança aprovada sem ter tido que a apresentar, e isso vai reforçar o apoio dos partidos. No médio prazo creio que quanto mais os partidos da direita tiverem um discurso de grande demarcação, de grande crispação em relação ao Governo, e carregarem na tecla de ilegitimidade do Governo, (…) paradoxalmente isto beneficiará António Costa.”