Agora que foi dado o pontapé de saída para a venda do Novo Banco, com três candidatos na corrida - dois chineses e um americano -, Manuela Ferreira Leite revela "desconforto" sobretudo quanto a um deles, os chineses da Fosun. 

"Estou desconfortada com os candidatos. A comunicação social vendeu largas à ideia de que o regulador do sistema de seguros estava preocupado e a acompanhar a atividade da Fosun, dos chineses, que foi quem comprou Fidelidade e é um dos candidatos ao Novo Banco", disse a ex-ministra das Finanças, no programa "Política Mesmo", na TVI24.

"Neste momento, a Fosun domina parte importante do grupo segurador em Portugal. Os reguladores não andam muito tranquilos relativamente à sua atuação na área dos seguros. Imagine se esse mesmo grupo não nos dá nenhuma tranquilidade na área dos seguros, vai tomar parte de um banco que representa fatia importante do setor bancário"


Daí que Manuela Ferreira Leite "gostaria de ver os reguladores com a sua força própria e independente e não estarem só preocupados, porque quando chegarem a quaisquer outras conclusões já pode ser um bocadinho tarde".

Outro negócio que destacou foi o do Oceanário, cuja concessão foi aprovada esta quinta-feira, em Conselho de Ministros, à Fundação Francisco Manuel dos Santos, por 114 milhões de euros, do grupo Jerónimo Martins, que é dono do Pingo Doce. 

Não concorda com o facto de passar para privados, mas pelo menos são portugueses.

"Estamos numa febre de vendas de tudo o que temos e não temos, do que dá lucro e dá prejuízo. Percebo que haja da parte dos portugueses um sentimento desconfortável com a venda do Oceanário, era um certo símbolo de um momento próspero do país. Dava lucro, bastante lucro ao Estado"


Ainda assim, a preocupação que tem em relação à Fosun e ao Novo Banco, neste caso não se aplica. "Correu-nos muito bem a solução que foi encontrada. Foi constituída uma fundação para a exploração do oceanário. Não ficará um cêntimo para o grupo empresarial. Todo o lucro será receita dessa fundação e toda canalizada para a manutenção, melhoria e educação e investigação de todos os aspetos relacionados com o mar".

Já quanto ao relatório do Tribunal de Contas que criticou a atuação do governo no que toca a algumas privatizações, como a REN e a EDP, Ferreira Leite diz que isso "nos faz pensar", mas são considerações que já vêm tarde. 

"Estamos cheios de instituições, organismos que fiscalizam, controla, , regulam, mas não temos nenhuma que tenha poder pedagógico para intervir antes dos factos consumados"


O relatório acaba, por isso, por ser "um documento político", sem efeitos práticos.