O congresso do PSD terminou com honra mas sem glória. Não se percebeu que tipo de oposição vão os social-democratas fazer para reconquistarem a bondade política dos portugueses. Digamos que a equação não é fácil. À esquerda, veem uma longa estrada e uma caravana com o PS à frente e o PCP e o Bloco a orientar o trajeto na retaguarda. Não estão no Governo, nem precisam de estar em S. Bento para influenciar o rumo de António Costa. O líder do PS sabe que as duas esquerdas, a dos comunistas e dos bloquistas, não o vão deixar agarrado ao chão. O congresso de Espinho mostrou que este PSD, que não se redefiniu nem ideologicamente nem politicamente, não lhe irá dar dores de cabeça. O problema do governo não está na politica interna. Está no exterior: na Europa estagnada economicamente há dez anos, no sistema financeiro europeu, na dívida e nas célebres metas de Bruxelas.

Passos Coelho não surpreendeu no seu discurso de encerramento. Voltou a falar da segurança social. Pede ao PS que se aproxime do centro quando foi o PSD que, ao afastar-se do centro durante quatro anos, perdeu uma maioria para governar. Mas este 'mea culpa' não foi feito em Espinho.

A chamada oposição interna, que tanto entretém os comentadores do regime, não existe. Pedro Duarte ou José Eduardo Martins podem aparecer todos os dias nos canais de notícias mas não ganham eleições.

A escolha de Maria Luís Albuquerque foi muito criticada pelo “rebanho“. Não se percebe porquê. Esteve sempre na primeira linha do combate e fartou-se de dar a cara pela austeridade que o Governo impôs sem sensibilidade. A sua ascensão é um prémio? É. Mas alguém imaginaria que depois de Vítor Gaspar, haveria uma Maria Luís a dar conta das políticas dos cortes e dos enormes aumentos de impostos? Duvida-se.

Como todos os congressos, mesmo os mais frouxos, todos têm que ter uma estrela. Em Espinho, essa estrela foi Pedro Santana Lopes. Apareceu. Não se escondeu atrás do sofá nem dos seus comentários. Elogiou Passos Coelho porque quis, embora seja de sublinhar o adjectivo frio. Trouxe para o discurso a sua condição de Provedor da Santa Casa e mostrou que está vivo politicamente. Há uns anos, ficou célebre a sua afirmação: “Vou andando por aí“. Agora, sobre as eleições para a Câmara de Lisboa, trouxe para o vocabulário político a expressão: “Keep Cool“. Um bom discurso, uma lição bem preparada ao melhor estilo anglo-saxónico. “Keep Cool“.