Constança Cunha e Sá mostrou-se, esta quarta-feira, interessada em saber como é que a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, vai explicar a «exibição patética» a que se prestou ao lado do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Shäuble, agora que o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou que Portugal e Espanha foram mais longe nas suas exigências em relação à Grécia do que a própria Alemanha.

Na TVI24, a comentadora sublinhou que aquele que Pedro Passos Coelho considerava ser o «árbitro» (Juncker) entre os três países é quem vem agora confirmar a versão de Alexis Tsipras, uma situação que no entender da jornalista «se vira contra Portugal».

«Jean-Claude Juncker confirma a versão grega, e não sei agora a quem é que o Governo de Passos Coelho se vai queixar, visto que já se tinha queixado ao Sr. Juncker», afirmou Constança Cunha e Sá, no espaço de análise nas «Notícias às 21:00».

«Sempre achei um erro de palmatória esta posição, até porque não estamos assim tão longe da Grécia como isso (…), a nossa dívida pública e privada é tão insustentável como a da Grécia. Portanto é evidente que nós não ganhámos nada com isso», defendeu. «E eu penso que o Governo português não fica nada bem visto nesta situação», acrescentou.


Para Constança Cunha e Sá, a posição portuguesa e espanhola de exigência em relação à Grécia explica-se por motivos internos. Sublinhando que não é por acaso que os dois países têm eleições este ano, «é evidente que os dois Governos tiveram todo o interesse em fazer da Grécia a vacina da Europa. Ou seja: vamos mostrar que vocês [Syriza, coligação grega de Esquerda Radical] capitulam no essencial ou então saem da Zona Euro».