Por: Redacção / PP | 2- 12- 2010 23: 17
Luís Marques Mendes considera «escandaloso e vergonhoso» que o Governo queira criar uma nova empresa pública para gerir
parcerias publico-privadas. «São mais lugares de administradores - normalmente "boys" - mais directores, mais assessores (...)
mais automóveis topo de gama», critica. Também criticou o que se está a passar nos Açores, com as ajudas aos funcionários
regionais.
O comentador da «Edição da Dez» do TVI24 às quintas-feiras fala mesmo «em provocação». «Uma provocação
para todos os que estão a apertar o cinto», desabafa. «Isto é o ADN do Governo. O Estado a gastar e a engordar e os portugueses
a emagrecerem e a diminuirem os seus orçamentos. Na fase em que vivemos é um escadalo total», afirma.
E, na sua opinião,
é «tão escandaloso e vergonhoso» que lhe parece o momento «para os vários partidos da oposição se unirem e rejeitarem esta
iniciativa».
Mas, Luís Marques Mendes chamou ainda a atenção para outro facto, relacionado com os cortes salariais
e o que considera ser «a politiquice no seu pior».
De acordo com o comentador, os funcionários públicos do governo
regional dos Açores «vão receber subsídios» para compensar «os cortes salariais» ditados pelo executivo de Lisboa.
«O
Governo Regional dos Açores decidiu há poucos dias que os funcionários públicos regionais vão ter um corte, mas a seguir recebem
um subsídio para compensar o corte. Ou seja, há mais de três mil funcionários regionais dos Açores que não vão ter corte.
É uma pouca vergonha, porque parece que há funcionários de primeira e de segunda», frisou, destacando a diferença entre funcionários
regionais e os que são pagos pelo Governo central: «Isto é a politiquice no seu pior».
Previsões económicas
Perante
as previsões negativas da União Europeia (UE), relativas a Portugal reveladas esta semana, quanto ao aumento do desemprego
e à recessão, Marques Mendes diz «não estar surpreendido». «Estão na linha» do que tem sido dito por todas as entidades.
Mas,
para o comentador a «supresa» esta na contradição da própria UE com esta previsão.
Primeiro defende e aplaude a «aprovação
do Orçamento de Estado para 2011, afirmando que era um instrumento importante e estava no bom caminho», mas esta semana «as
sua previsões indicam o oposto». Ou seja, «admite que as medidas não são suficientes» e que serão necessárias mais no decorrer
do próximo ano.
Mundial 2018
A derrota da candidatura ibérica, Portugal e Espanha, ao Mundial de
2018 foi um dos temas abordados pelo comentador que se confessou «desiludido». Na sua opinião era uma oportunidade de «rentabilizar
o muito dinheiro» que foi gasto «no europeu de 2004 nas muitas infra-estruturas construídas». Ou seja, desta vez «não se ia
gastar dinheiro e tirava-se partido daquilo que foi investido nessa ocasião».
No entanto, Marques Mendes considera
«compreensível a decisão da FIFA», porque até agora tem. De alguma forma, «sempre escolhido novos mercados que têm potencial
para o desenvolvimento do futebol e também potencial económico».
Sá Carneiro
Questionado sobre a
sugestão de Freitas do Amaral para a realização de uma nova Comissão Parlamentar de inquérito sobre o caso de Camarate, Marques
Mendes defende que ou existem factos novos ou, então, «é banalizar as comissões».
Neste momento, não acredita que
existam factos novos, apesar de sempre ter acreditado que «o que aconteceu foi um atentado». Na justiça e porque o processo
prescreveu «não há nada mais a fazer».
Todavia, considera impressionante a forma como Sá Carneiro continua «a fascinar
as pessoas, a suscitar curiosidade, interesse». «Sá Carneiro não era um político qualquer, não era um político vulgar. Era
um elemento inspirador, era uma referência. Marcou como pessoa, político e líder», acrescenta. «Ele deixou um legado, sobretudo
ao PSD. Tão significativo que vive por si e vale por si».
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