Manuela Ferreira Leite criticou, esta quinta-feira, a proposta da candidata presidencial Maria de Belém para levar os chefes de Estado estrangeiros, em visita oficial a Portugal, a almoçar e a jantar em lares de idosos.
 
No programa “Política Mesmo” da TVI24, Manuela Ferreira Leite disse que os debates entre os candidatos à Presidência da República não têm servido para esclarecer as pessoas. Com ironia, a ex-ministra das Finanças disse ainda que, entre os dez nomes que concorrem a Belém, há alguns sem perfil nem conteúdo.
 

“Eu gostaria imenso de cantar ópera porque é uma coisa de que gosto (…) Acontece que nem as minhas cordas vocais, nem a minha caixa torácica algum dia permitiram que eu desse qualquer hipótese de poder cantar sequer uma areazita. E, portanto, nós somos todos iguais, todos temos os mesmos direitos, mas não temos todos as mesmas aptidões. Há candidatos que, efetivamente, não têm perfil, não têm conteúdo”, afirmou.

 
Sobre Maria de Belém, a comentadora mostrou-se muito crítica da intenção da candidata em “mostrar aos políticos estrangeiros a realidade portuguesa”.

Os protocolos habituais das visitas de chefes de Estado estrangeiros a Portugal sofrerão inovações se Maria de Belém for eleita Presidente. Almoçando com jornalistas em Lisboa, a candidata presidencial prometeu, por exemplo, que poderá levar estadistas estrangeiros a almoçar em lares de terceira idade ou instituições do género, preferindo isso ao que é tradicional (banquetes no Palácio de Queluz, por exemplo).

“Eu pergunto se o papel do Presidente da República é mostrar aos estrangeiros que nós temos muitas deficiências, que temos muita miséria, que temos muitas faltas de apoios em determinado sentido, se isso é coisa para nós dizermos aos estrangeiros, se é essa a função de um Presidente”, questionou Manuela Ferreira Leite.

 
Ainda no programa “Política Mesmo”, Manuela Ferreira Leite disse esperar que o Fisco deixe de usar os contribuintes para resolver os próprios problemas. A comentadora da TVI elogiou a medida do Governo, que impede a penhora de habitações em caso de dívidas às finanças.
 
"Dívidas ao Fisco não podem, caso não sejam satisfeitas, ter como consequência penhoras de casas de habitação. O que evidentemente penso que é uma medida justa, socialmente defensável”, afirmou.

Para a ex-ministra das Finanças, "a máquina fiscal é para estar ao serviço das pessoas” e tudo aquilo que seja simplificação, informatização seja no sentido de ajudar as pessoas a relacionar-se com o Fisco e não a complicar-lhes a vida.