Marcelo Rebelo de Sousa analisou o debate entre António Costa e Pedro Passos Coelho de uma forma mais fria, agora à distância. Para o comentador da TVI, que já no próprio dia do debate tinha atribuído a vitória do frente-a-frente a António Costa, a atitude de Pedro Passos Coelho de “jogar mais à defensiva” foi estratégia.
 

“Foi a postura com que ele quis aparecer. (…) Acho que foi uma estratégia porque já Paulo Portas a tinha tido na véspera. Que é não carregar no acelerador. Jogar para o empate.”

 
Mas, sobretudo tendo em conta os dados das últimas sondagens, Marcelo Rebelo de Sousa considera que Passos Coelho tem de mudar de atitude. E procura na memória um exemplo pessoal em que também ele jogou “para o empate” e a estratégia não correu bem.
 

“No debate com Jorge Sampaio, eu joguei para o empate. (…) Quem joga para o empate corre o risco de perder.”

 
Marcelo recorda que a sondagem divulgada imediatamente a seguir ao debate o colocavam três pontos atrás de Jorge Sampaio: “com esse debate consolidei a minha derrota”.
 
Paralelamente à questão do debate, Marcelo Rebelo de Sousa comentou fugazmente a divulgação da fotografia de José Sócrates num jantar de amigos e resumiu o assunto em duas frases: “Acho que a fotografia foi um tiraço para a TVI. Não sei se foi um tiraço para Sócrates”.
 
“Qualquer dia a Europa está a correr atrás do prejuízo”
 
Os últimos acontecimentos na crise migratória que a Europa atravessa mereceram comentário detalhado do Professor. Marcelo Rebelo de Sousa considera que a atitude da Alemanha que culminou com o e ncerramento hoje das fronteiras é um reflexo do estado de espírito da Europa relativamente à questão dos refugiados.
 

“A Europa não estava preparada. A Europa não estava a ver o filme como o viu em 2007 e 2008 com a crise que vinha da América. A Europa vai sempre a reboque dos acontecimentos, cada um para seu lado.”

 
O comentador considera que a Europa “está a ter dificuldade em ter uma posição comum”. “Já lá vão várias reuniões (…) e já se admite a hipótese, se não houver uma posição global da Europa, de haver uma cimeira extraordinária”, lembra.
 
“Ordem e contra-ordem significa desordem e a Europa pode entrar em desordem (…). A Europa não tem muito tempo e qualquer dia está a correr atrás do prejuízo”, finaliza Marcelo Rebelo de Sousa.
 
BPN “caiu em cima da campanha eleitoral”
 
O Novo Banco e a questão dos lesados do BES, com as declarações de Pedro Passos Coelho de que lançaria uma subscrição pública para ajudar quem não tivesse condições para avançar para a justiça também mereceram o comentário de Marcelo Rebelo de Sousa, este domingo, no Jornal das 8 da TVI.
 
Para o Professor a polémica em torno da venda do Novo Banco não é boa para a Economia portuguesa: “Trata-se de um banco criado há um ano e tal. Está a haver uma especulação em relação ao valor e ao futuro deste banco que não é bom para o sistema financeiro português.”
 
O assunto acabou por respingar na campanha eleitoral para as legislativas, porque foi sendo “empurrado com a barriga e criou uma bola de neve” que “caiu em cima da campanha eleitoral”. “Passou a ser utilizada como instrumento politico-partidário”, resumiu.
 

“Tudo isto não era muito grave se o banco tivesse sido, como estava previsto, vendido em agosto. (…) Quanto mais ficar esclarecida a situação e mais depressa, melhor para todos.”

 
Marcelo Rebelo de Sousa analisou também as promessas deixadas por Pedro Passos Coelho aos lesados do BES: “Naquela ocasião, o que lhe ocorreu foi a questão da subscrição pública. (…) A ideia era boa, mas a forma não foi a mais feliz”.