Marcelo Rebelo de Sousa avançou que a sobretaxa do IRS vai descer para 2,5 por cento, mas numa lei separada do Orçamento do Estado para 2015. No Conselho de Ministros de sábado, aliás, «vingou a ideia de baixar impostos», garantiu.

«A fórmula é complicada e os ministros têm guardado segredo sobre isso. A ideia é apresentar, ao mesmo tempo, nos próximos dias, a proposta de lei do OE e uma reforma do IRS, para estar numa lei à parte», explicou, no comentário no «Jornal das 8».

Segundo o comentador, «o CDS conseguiu uma conquista nestas negociações difíceis», uma vez que vai ser introduzido o quociente familiar.

«Sabe-se que vai haver uma fórmula em relação à sobretaxa, que no fundo é um desagravamento, embora laboriosamente estudado, porque o Governo tem noção que o que se passa na Europa pode refletir-se em Portugal», disse.

Por um lado, o Governo, baseado sobretudo na posição de «muitos ministros do PSD e sobretudo do CDS», quer «desagravar o IRS e os cortes nas pensões a pensar no eleitorado e nas legislativas». «Mas, por outro lado, tem noção que, ao fazer isso, faz num contexto em que as previsões são tudo menos certas», completou.
 
Descer os impostos «é positivo, depois de três anos muito pesados para portugueses», mas Marcelo admite um «impacto inferior ao que se desejaria e ao que a oposição exige».

«A grande dúvida é: o que está no OE é minimamente fidedigno ou é um exercício baseado naquilo que é a convicção do Governo, corrigida pela análise do Banco de Portugal?», questionou.

Para terminar, o comentador resumiu: «Há um raiozinho de luz agradável ao ter vingado a teoria do desagravamento fiscal».