Com António Costa, «ponto final, parágrafo». «Já se percebeu que acordo antes das eleições, não há». E as sondagens não estão a ser meigas com o PSD e o CDS-PP, lembrou este domingo Marcelo Rebelo de Sousa, no seu habitual comentário no Jornal das 8 da TVI. O professor entende que Passos Coelho está «errado» no seu discurso, sempre a falar no passado, e Paulo Portas está a fazer-se «um bocadinho caro», também. Seria importante decidir se vão os dois a jogo, em coligação, nas próximas eleições legislativas. «Faltam nove meses e meio. É já depois de amanhã». 

«Esta sondagem é preocupante,  é muito antipática. Não é que PS esteja próximo da maioria absoluta porque não está, não ultrapassa os 38%, mas o PSD está a 12% e com o CDS está a uma distância brutal do CDS». «Passos Coelho continua, a meu ver, com uma tónica de discurso errada, que é falar para o passado», dizendo que 'a culpa não morre solteira, que temos de falar para os senhores que deram cabo do país'», mas «ele tem de falar para o futuro. Ele tem de comprar o que não é o núcleo duro. Faltam nove meses e meio. É já depois de amanhã»


E o CDS também não está a ajudar, na opinião do professor. «Não é fazer-se caro, mas é um bocadinho. Diz 'primeiro vamos fazer o nosso trabalho de casa, sozinhos e depois lá mais para diante fazemos a coligação», lembrou o professor.  

«Há-de haver um momento em que Passos Coelho e Paulo Portas percebem que começa a ser muito desgastante e esse momento é daqui a um mês, dois meses, não mais de três meses de não haver coligação». Findo esse prazo, as coisas poderão complicar-se ainda mais:

«Não há Paulo Portas como número dois do Governo a não ser em aspetos muito espefícios e Passos Coelho dá a sensação de que desgosta dessa ideia de coligação o mais tarde possível. Não vejo que isso seja bom»

No seu comentário, o professor abordou ainda a privatização da TAP, explicando a «confusão» da troca de argumentos entre PSD e PS sobre a venda a 100% ou parcial, e a greve na transportadora aérea, que considerou «desastrosa».

Sobre o caso Sócrates, disse que «parece confirmar-se» que o amigo Carlos Santos Silva «ficou muito rico» nos anos de governação do ex-primeiro-ministro.